arquivo

Alemanha

Munique

Chegamos a Munique no meio da tarde de um domingo. A cidade não estava muito cheia e nos impressionou por sua beleza e pela mistura entre moderno e antigo. Munique é uma cidade muito acolhedora e linda.

Na noite de nossa chegada estava acontecendo o show do Eric Clapton, em um parque ao lado do hotel onde ficamos hospedados. Não era um show gratuito e aberto ao público, mas mesmo assim era possível ouvir as músicas com perfeição a partir da rua. Que recepção maravilhosa!

Capital da Baviera e a cidade mais importante do sul da Alemanha, Munique é a terra da cerveja e possui uma atmosfera mais festiva em relação às demais regiões da Alemanha.

HOTEL

Ficamos hospedados no Ibis Munique City que tem uma localização ótima: fica a 20 minutos de caminhada da região mais turística e movimentada da cidade. (Nota: Gente, eu sou mineira e pra mim “20 minutos de caminhada” = muito perto! rs Sabem como é né, para mineiro tudo é logo ali!).

Café da manhã cobrado à parte mas bem variado, quartos espaçosos e um bar no térreo onde tomei vários “Tequila Sunrise”!

Ibis_Munique_City

Fonte da Imagem: http://www.ibis.com/pt/hotel-1450-ibis-munique-city/index.shtml

O QUE FIZEMOSFicamos somente dois dias e meio em Munique e não deu tempo de ver tudo o que a cidade oferece. Mas pelo menos conseguimos visitar os principais pontos turísticos.

MARIENPLATZ: Esta praça está localizada na região central da cidade e foi construída no século XII. Abriga a Neues Rathaus (Nova Prefeitura), a Altes Rathaus (Antiga Prefeitura – prédio central da foto abaixo) e a Coluna de Santa Maria. Ao redor da praça há lojas e restaurantes e é um dos lugares mais movimentados da cidade; sempre há turistas por lá.

DSC06243

 NEUES RATHAUS: Este edifício em estilo neogótico foi construído entre os anos de 1867 e 1909 e abriga a prefeitura da cidade. Na fachada estão esculpidas figuras mitológicas, santos e governantes bárbaros.

DSC06240

 A principal atração do edifício é a Torre do Relógio (foto abaixo). Todos os dias às 11h e às 17h os sinos da torre tocam e os bonecos localizados no centro da torre começam a dançar. Espetáculo encantador e imperdível!

DSC06241

Também é possível subir no topo da torre para ver a bela Munique do alto. E foi o que eu e o Du fizemos:

DSC06255 DSC06256 DSC06245

 FRAUENKIRCHE: A construção desta igreja em estilo gótico foi concluída no ano de 1488, mas o domo só foi instalado 37 anos depois. A Frauenkirche foi parcialmente destruída nos anos de 1944 e 1945 e após o fim da II Guerra Mundial foi reconstruída. 

DSC06094

 BMW WELT: É um complexo da BMW dedicado a proporcionar experiências aos consumidores e apreciadores da marca. É lá que os produtos da BMW são apresentados, é onde fica o centro de distribuição dos veículos da marca e também onde acontecem fóruns e conferências.

DSC06183

O complexo foi projetado pela Coop Himmelb(l)au e está localizado próximo à sede da BMW e também ao Parque Olímpico.

DSC06173

DSC06160Para quem é apaixonado por carros e motos e / ou por arquitetura o local é um prato cheio! Lá dentro é possível entrar nos carros e subir nas motos e fingir por alguns segundos que tem muito dinheiro para comprar uma BMW. E eu não perdi a oportunidade de subir em uma moto dessas!

DSC06152

OLYMPIAPARK (PARQUE OLÍMPICO): Este complexo foi construído para os Jogos Olímpicos de 1972 e o arquiteto Günther Behnisch foi o responsável pelo projeto de arquitetura. A cobertura do parque é composta por estruturas tensionadas feitas de chapas de acrílico e cabos de aço. Esta estrutura foi desenvolvida pelo engenheiro e arquiteto Frei Otto (vencedor do prêmio Pritzker 2015).

Captura de Tela 2015-03-11 às 09.48.51

Fonte da imagem: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/um-pritzker-postumo-para-o-alemao-frei-otto-1688765

DSC06188 DSC06189Atualmente o parque serve como ponto de encontro e lazer para os habitantes e turistas da cidade e também como sede de eventos culturais, sociais e religiosos.

DSC06193Fizemos um passeio na roda gigante e lá no alto apreciamos a linda vista da cidade e do parque:

DSC06196

DSC06198

DSC06197

HERZ JESU KIRCHE: Igreja construída entre os anos de 1996 e 2001 e projetada pelo escritório Allmann Sattler Wappner. Descobri esta igreja através do livro “Architecture Now! Volume 2” que comprei na cidade do Porto e fiquei encantada. Nem pensei duas vezes e arrastei todo mundo comigo para ver de perto esta igreja diferente:

DSC06215

Localizada em um subúrbio residencial da cidade, esta igreja surpreende pela ousadia e simplicidade. O portão possui 16m de altura e é composto por diversos cubos de vidro. No dia em que visitamos a igreja somente a porta menor estava aberta, mas em determinadas ocasiões o enorme portão se abre e o espaço interno e externo da edificação se fundem.

DSC06223

 No interior da Igreja não há adornos ou imagens; somente uma painel central composto por uma malha de metal dourado que, dependendo da incidência de luz, simboliza uma cruz:

DSC06217

E no mezanino localizado ao fundo do salão principal há um órgão:

DSC06218

ALLIANZ ARENA: Estádio de futebol oficial dos times TSV 1860 Munique e Bayern de Munique projetado pelo escritório de arquitetura Herzog e de Meuron. Este estádio, que foi sede do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2006, possui a fachada composta por 2.874 painéis de ETFE (Etileno Tetrafluoretileno) e cada painel pode ser iluminado independentemente com as cores azul, branco ou vermelho (as cores variam de acordo com o time da casa que irá jogar).

Não fizemos o tour guiado – fizemos somente uma visita à loja do estádio, mas me contentei com a área externa e com a fachada.

DSC06229

HOFBRÄUHAUS AM PLATZL: Esta cervejaria foi o local que o Du mais queria conhecer (por que será?! rs). Foi muito difícil chegar até lá, apesar de estar localizada na região da Marienplatz. Estávamos procurando pela cervejaria HB e ninguém soube nos informar onde ficava. Já estávamos quase desistindo e aí resolvemos ligar para o primo do Du que já morou em Munique conhece muito bem a cidade e ele nos salvou indicando a direção correta do local! Depois é que percebemos que as pessoas a conhecem pelo nome completo “Hofbräuhaus”.

DSC06292

O lugar é enorme e possui mesas coletivas, banda típica tocando músicas alemãs, canecas enormes de cerveja e um cardápio com opções de comida típica alemã. Ambiente animadíssimo e sem frescura alguma. Nós nos divertimos muito lá, bebemos bastante e demos boas risadas.

Foi a melhor maneira de encerrar nossa última noite em Munique e o último dia desta viagem inesquecível!

DSC06289

No dia 20/08 retornamos ao Brasil e no trajeto entre Alemanha e Portugal fomos presenteados com uma bela vista dos Alpes Franceses a partir da janela do avião:

DSC06304

Anúncios

Este post é uma viagem no tempo, mais precisamente para julho de 2008, para contar como foi minha primeira vez na Europa. Este relato vem com um atraso de quase sete anos e será feito de forma bem resumida, afinal já me esqueci de muitos detalhes. Vou fazer um post para cada país visitado, assim evito os textos enormes e a enxurrada de fotos – minha especialidade, eu sei! rs.

No dia 28 de Julho embarcamos em um avião da TAP rumo a Lisboa, primeira cidade do roteiro de 22 dias que incluía cinco países europeus. Esta viagem foi muito especial, pois além de ter sido minha primeira vez na Europa, esta foi também a primeira vez que eu e o Du – ainda namorados na época – iríamos passar tanto tempo juntos (na época eu morava em Belo Horizonte e ele em São Paulo e nos víamos por um final de semana a cada 15 dias). Seria também uma convivência mais prolongada com meu querido sogro e minha querida cunhada, que hoje são minha família aqui em São Paulo.

Definitivamente esta foi uma viagem test drive, super divertida e que rendeu piadas internas das quais damos risadas até hoje! Aguarde os próximos posts e vem comigo!

01

E aqui vai um resumo das nossas férias de 2014 na Alemanha e Inglaterra. Foram 18 deliciosos dias de viagem entre Frankfurt, Rüdesheim am Rhein, Londres, Manchester e Berlim.

04

Cada cidade visitada nos encantou de alguma forma, mas meu coração ficou em Londres! Eu simplesmente amei a capital britânica e ainda irei voltar para lá várias vezes! Manchester é uma cidade diferente, meio deprimente mas com uma arquitetura bem interessante. Frankfurt foi uma ótima surpresa, pois é uma cidade que mistura modernidade e tradição na medida certa. E Rüdesheim am Rhein ainda foi mais surpresa, pois nem estava em nossos planos e passamos um dia muito agradável nesta cidade fofa! E Berlim foi mais do que eu esperava: é uma cidade cosmopolita, alternativa, moderna, viva e com muita história para nos contar.

Viajamos de Lufthansa em um vôo direto de Guarulhos para Frankfurt no novíssimo Boeing 747-8 que começou a operar esta rota no dia 29/03/14, menos de um mês antes da nossa viagem. O avião é enorme e confortável e a Lufthansa é uma ótima companhia aérea. Voamos de British Airways de Frankfurt para Londres e de Londres para Berlim. Viajamos de trem no trecho de Manchester / Londres (ida e volta com a empresa Virgin) e de Berlim para Frankfurt com a empresa Deutsche Bahn. Os bilhetes de trem e de avião foram comprados nos sites das próprias empresas, com exceção dos bilhetes da British que foram comprados por um agente de viagens. Os hotéis, passeios e maiores detalhes estão descritos nos posts sobre cada cidade.

Seguem abaixo os links sobre todos os posts da nossa viagem:

FÉRIAS 2014: ALEMANHA E INGLATERRA

FRANKFURT AM MAIN

RÜDESHEIM AM RHEIN

LONDRES

LONDRES: PRIMEIRO DIA

LONDRES: SEGUNDO DIA

LONDRES: TERCEIRO DIA

LONDRES: QUARTO DIA

LONDRES: QUINTO DIA

LONDRES: SEXTO DIA

LONDRES: SÉTIMO DIA

MANCHESTER: PRIMEIRO DIA

MANCHESTER: SEGUNDO DIA

BERLIM

BERLIM: PRIMEIRO DIA

BERLIM: SEGUNDO DIA

BERLIM: TERCEIRO DIA

BERLIM: QUARTO DIA

E chegamos ao último dia em Berlim! Acordamos mais tarde do que nos dias anteriores, afinal não tínhamos compromisso agendado para este dia que começou nublado, chuvoso e gelado!

Tomamos um café da manhã bem demorado em uma padaria perto do hotel e de lá pegamos o metrô até o Helmut Newton Foundation. Este museu também faz parte do Berlim Pass Museum e, por isso, o ingresso já estava pago.

Captura de Tela 2014-12-26 às 13.03.21

Helmut Newton foi um importante fotógrafo conhecido, principalmente, por suas fotos de nu feminino. Nasceu na Alemanha no ano de 1920 mas se naturalizou australiano e no ano de 2004 morreu em um acidente de carro na Califórnia. Fotografou diversos ensaios para as revistas Vogue, Elle, Playboy, entre outras. E foi no mundo da moda que o fotógrafo se consagrou, pois conseguiu transformar o produto comercial em arte. O trabalho de Helmut Newton é repleto de sensualidade, erotismo, polêmica e alta carga emocional.

O acervo do museu não é muito grande e em menos de uma hora é possível ver todas as fotografias expostas. Eu não conhecia muito o trabalho do Helmut Newton e gostei muito do que vi no museu. Para quem é apaixonado por fotografia (meu caso!) e / ou por moda é uma visita imperdível!

Helmut NewtonSaímos do museu e seguimos a pé, sem rumo. Em determinado momento começou uma chuva forte e entramos na KaDeWe (Kaufhaus des Westens, em alemão ou Loja de Departamentos do Ocidente, em português), a segunda maior loja de departamentos da Europa. São 07 andares com opções de maquiagem, cosméticos, bolsas, relógios, artigos para casa, comida, papelaria e muitos outros itens. O edifício é belíssimo por fora e por dentro e vale a visita, mesmo que você saia de lá de mãos vazias (nosso caso!). Assim que a chuva deu uma trégua fomos embora e almoçamos uma pizza em um restaurante de comida italiana nas proximidades da loja.

Seguimos andando pela avenida Kurfürstendamm, conhecida como Kudamm, uma das principais avenidas da cidade. Há várias lojas por lá e uma opção boa para comprar itens de maquiagem e higiene pessoal é a drogaria Rossmann. É nesta avenida que está localizada a Igreja Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, conhecida como Gedächtniskirche:

IMG_5689

Pela foto acima é possível ver o que restou da torre da Igreja após o incêndio causado por bombardeios durante a II Guerra Mundial que praticamente destruíram a edificação. Além de parte da torre, somente uma porção do salão de entrada permaneceu após os ataques. Após a guerra, decidiu-se pela construção de uma nova igreja e integrá-la ao que restou da antiga para que as pessoas não se esqueçam de como uma guerra pode ser devastadora.

Visitamos a parte que restou da antiga Igreja e vimos os belíssimos mosaicos:

IMG_5686 IMG_5687

E na nova Igreja visitamos o belo altar rodeado de vitrais azuis:

IMG_5688

Saímos da Igreja, pegamos o metrô e descemos na estação Warschauer Str. De lá seguimos a pé e atravessamos a Oberbaumbrücke, ponte sobre o rio Spree e de onde se tem uma bela vista:

DSC_0361_2

E após atravessar a ponte fomos ver de perto uma parte que restou do Muro de Berlim e que possui pinturas de 106 artistas de várias partes do mundo. O local é conhecido como East Side Gallery, uma galeria de arte a céu aberto localizada no lado oriental da cidade. As pinturas retratam os acontecimentos políticos relacionados ao Muro de Berlim e estão localizadas no lado oriental da cidade (por isto o nome East Side Gallery):

DSC_0359_2

IMG_5710

IMG_720701

02

Além das pinturas também é possível ver como o Muro de Berlim foi construído: eram dois muros paralelos e no meio um espaço vazio que era conhecido como “Faixa da Morte”. Nesta faixa havia diversos obstáculos para impedir qualquer pessoa de fugir e atravessar para o outro lado do muro onde havia uma segunda barreira com um reforçado esquema de segurança. Desta forma, pular o muro de um lado para o outro da cidade era praticamente impossível:

IMG_5708

Após percorrer uma parte dos 1360m da galeria pegamos o metrô e seguimos para a Potsdamer Platz, uma praça com vários prédios modernos, lojas e opções de entretenimento. Fomos para o shopping Potsdamer Platz Arkaden, pois precisava comprar um relógio para a minha mãe na Swatch. Aproveitei para comprar presentes na Kiko (loja de maquiagem com preços ótimos e produtos idem) e também para dar uma olhada nas lojas (Zara, H&M, Mango, The Body Shop). Tomamos um café e um sorvete na praça de alimentação e seguimos para o Sony Center, um complexo composto por escritórios, restaurantes, cinema, lojas, centro de conferências, flat e quartos de hotel. No vão central do complexo há uma estrutura metálica coberta por vidro e painéis que recebem luzes coloridas à noite que deixam o local ainda mais bonito e atraente:

IMG_5717 IMG_5718

Já passavam das 22h, as lojas já estavam fechadas e não havia muita gente por lá. Fazia frio e decidimos voltar para o hotel, pois ainda precisávamos terminar de arrumar as malas.

IMG_5723

No dia seguinte (sábado) saímos do hotel às 5:30h e partimos para a Estação Central de Berlim e pegamos o trem com destino a Frankfurt, onde ainda dormimos uma noite. E no domingo foi hora de dizer adeus à Alemanha e voltar para o Brasil. Auf wiedersehen!

IMG_5727

Nosso penúltimo dia na capital alemã amanheceu mais frio e o sol estava bem tímido, bem diferente dos dias ensolarados anteriores. Tomamos café da manhã em uma padaria próxima ao hotel e seguimos de metrô para o Starbucks da Pariser Platz para nos encontrar com o guia – o inglês Rob Shaw – e o grupo para a visita ao campo de concentração Sachsenhausen.

Fizemos este tour com a empresa SANDEMANs NEW Berlin Tours, a mesma do passeio que fizemos no primeiro dia na cidade (leia aqui), porém para este é cobrado o valor fixo de €15 por pessoa (parte do lucro arrecadado é doado ao Sachsenhausen Memorial).

Os bilhetes de metrô e trem não estão inclusos no valor do tour e devem ser adquiridos individualmente por cada participante. Para quem vai de trem: lembre-se de validar o ticket na máquina antes de embarcar, pois durante a viagem há fiscais conferindo os bilhetes e quem se esquece de validá-los ganha uma bela multa (aconteceu com um casal do nosso grupo).

IMG_5726

Saímos do Starbucks às 11h e pegamos o metrô até a Estação Central de Berlim (Berlin Hauptbahnhof), onde na sequência pegamos o trem em direção à cidade de Oranienburg, a 35km ca capital alemã. Após chegar na estação de Oranienburg andamos por uns 15 minutos até o Sachsenhausen. Há um ônibus que faz este percurso, porém como era feriado o serviço estava suspenso.

A entrada é gratuita e há áudio-guia disponível mediante o pagamento de €3, ideal para aproveitar mais a visita. O ideal é usar roupas e sapatos confortáveis, pois é um lugar onde se anda bastante e é recomendável levar água e algum lanche para comer por lá.

DSC_0349_2Sachsenhausen começou a funcionar no ano de 1936 e foi um dos três maiores campos de concentração nazista da Alemanha. Inicialmente o local era destinado a prisioneiros políticos, entretanto após 02 anos de funcionamento milhares de judeus, homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová e inimigos políticos foram levados para o local. Durante os 09 anos que funcionou como campo de concentração, Sachsenhausen recebeu mais de 200.000 pessoas, sendo que metade destas morreram de alguma doença, pneumonia devido ao frio ou desnutrição e outras milhares morreram fuziladas, sufocadas em câmaras de gás ou vítimas de macabros experimentos médicos.

DSC_0351_2A sede do centro administrativo de todos os campos de concentração localizava-se em Oranienburg e, desta forma, Sachsenhausen foi também um centro de formação de oficiais da SS: tudo o que aprendiam lá era aplicado nos demais campos de concentração sob comando nazista.

Na área anterior à entrada há uma maquete onde é possível ver a configuração original deste Campo de Concentração:

IMG_7161

Sachsenhausen não era originalmente um campo de extermínio e sim um campo de trabalho forçado. Inicialmente os nazistas diziam que este local receberia prisioneiros que através do trabalho seriam reabilitados para poder viver novamente em sociedade. No portão de entrada está escrita a frase em alemão “Arbeit marcht frei” ou em português “O trabalho liberta”.

Assim que atravessei o portão senti a energia pesada daquele lugar que foi um dos palcos das maiores atrocidades cometidas pelo ser humano, em uma época do ápice da crueldade humana.

IMG_5682

No topo do edifício da entrada há um relógio com os ponteiros marcando a hora exata em que ocorreu a primeira evacuação dos prisioneiros:

DSC_0354_2

Os prisioneiros ficavam instalados em barracões onde dividiam banheiros e quartos superlotados. O local foi projetado para receber 150 pessoas, mas há registros de 400 prisioneiros ocupando o mesmo barracão:

DSC_0326_2

DSC_0324_2

Havia 68 barracões neste campo de concentração mas somente 02 destes permanecem até hoje. Os que foram destruídos possuem a área demarcada com brita e concreto:

DSC_0322_2

DSC_0346_2

Os prisioneiros que desobedeciam às ordens do local era levados para uma área cercada por muros (foto abaixo) e eram torturados. Os outros prisioneiros que estavam do outro lado do muro apenas ouviam os gritos mas não sabiam o que estava acontecendo com os torturados. O terror psicológico era uma maneira de manter a ordem e controlar os prisioneiros.

DSC_0331_2

O prisioneiro que invadisse a chamada “Zona Neutra” era fuzilado:

DSC_0320_2Lá dentro há dois museus com um acervo vasto sobre tudo o que aconteceu no local. O nosso guia nos explicou tudo, contou histórias e tirou dúvidas. Se tivéssemos ido só eu e o Du certamente teríamos ficado um pouco perdidos e sem muita paciência para ler todas as placas e muitos detalhes teriam escapado de nossa atenção.

DSC_0325_2

A parte mais comovente é a “Estação Z”, onde ficavam os crematórios e também onde os prisioneiros eram executados. Os nazistas deram este nome porque consideravam este ponto a última parada do preso, que antecedia a própria morte, em oposição ao “Ponto A” que era o portão de entrada do local, ponto de partida da jornada do prisioneiro.

IMG_7187

Na foto abaixo está a vala de execução onde os prisioneiros condenados à morte eram fuzilados:

DSC_0347_2

E quando chegamos na área dos fornos onde os corpos eram queimados o guia nos contou como ocorriam as mortes e os procedimentos cruéis adotados pelos nazistas. Depois ele nos deixou à vontade para explorar o local e refletir sobre tudo o que tínhamos acabado de ouvir.

DSC_0350_2

E foi nesta hora, quando fiquei olhando e imaginando tudo o que aconteceu lá, que eu caí no choro. Chorei de tristeza, de angústia e também de vergonha por imaginar o que o ser humano é capaz de fazer com o outro.

Após o fim da II Guerra Mundial os soviéticos dominaram Sachsenhausen e fizeram dele um local de confinamento para presos políticos, a maioria nazistas. De 1945 a 1950, ano em que o local foi fechado, 60mil pessoas passaram por lá e destas, 12mil foram mortas por desnutrição e doenças.

Visitar Sachsenhausen é doloroso e, sem dúvidas, uma experiência marcante. É um local que não pode ser ignorado e muito menos esquecido, pois todos nós e as próximas gerações devem se lembrar de tudo o que aconteceu no passado para não repetir os mesmos erros no futuro.

DSC_0355_2

Após três horas dentro do Sachsenhausen retornamos para Berlim. O feriado de 1o de Maio é dia de festa na Alemanha: os alemães vão em peso para as ruas – principalmente para protestar por alguma causa política – e nosso guia disse que iria para o bairro alternativo de Kreuzberg. Alguns integrantes do grupo seguiram com o guia e nós também decidimos ir. Mas chegando lá era tanta gente na rua que nos afastamos e decidimos voltar para o hotel. Estávamos com fome, mas todos os bares e restaurantes estavam cheios e eu não estava no clima de comer qualquer coisa em barraquinha de rua e ainda por cima curtir manifestação gringa ao som de batuque!

Voltamos para o hotel, tomamos banho e trocamos de roupa, pois o tempo virou e estava bem frio a esta altura. Pegamos o metrô e descemos na estação da Alexanderplatz, centro comercial bem turístico, mas como era feriado estava tudo fechado e fomos direto para o bar/pub The Pub.

 

IMG_7193

Chegamos lá por volta das 20:30h e conseguimos uma mesa e pouco tempo depois o bar já estava cheio. No meio da mesa há uma chopeira para que cada pessoa se sirva e a máquina computa a quantidade de chopp que foi tirada. Achei a ideia fantástica, pois não é necessário depender do garçon toda hora que quiser um chopp, é possível controlar a quantidade de espuma de acordo com o gosto de cada um e é possível beber 120ml de chopp ou 600ml!

Há um telão no centro do bar que mostra o consumo de chopp de cada mesa e também das mesas das unidades do bar em outros países. É divertido, pois no fim acaba virando uma competição de qual mesa bebe mais!

IMG_5683

O cardápio também fica exposto na tela na mesa onde cada um pode fazer os pedidos sem depender do garçon:

IMG_7194

Estávamos famintos e comemos hamburguer e batata frita, sempre cai bem com cerveja! Saímos de lá por volta das 21h e fomos direto pro hotel furgir do frio!

 

 

O segundo dia na capital alemã começou às margens do Rio Spree, onde fomos tomar o café da manhã. Escolhemos uma lanchonete qualquer e aproveitamos para curtir o sol da bela manhã de primavera.

IMG_7094

DSC_0203

Já passava das 11h e não resisti ao sorvete de pistache! De lá seguimos para a Ilha dos Museus (Museumsinsel), a poucos metros de onde estávamos, que é uma ilha no Rio Spree declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO onde há cinco museus: Altes Museum, Neues Museum, Alte Nationalgalerie, Bode-Museum Pergamonmuseum.

Captura de Tela 2014-12-21 às 20.11.57

Visão geral da Ilha dos Museus – Fonte da imagem: http://www.museumsinsel-berlin.de/en/masterplan/entrances/

Compramos o Museum pass Berlin por €24, um passe que dá direito a visitar mais de 50 museus na cidade durante 03 dias. Vale muito a pena, pois somente a entrada para o Neues Museum e Pergamonmuseum custam €24 (€12 cada um).

foto

O primeiro museu que visitamos foi o Pergamonmuseum, o museu mais visitado da cidade e também o mais novo da Ilha. Este museu está dividido em três áreas: Museu do Antigo Oriente Médio, Coleção de Antiguidades Clássicas e Museu de Arte Islâmica.   

IMG_7097

Pegamos o audioguia na recepção (é distribuído gratuitamente) e iniciamos a visita na área do Museu do Antigo Oriente Médio onde estão expostas antiguidades da Suméria, Assíria e Babilônia.

O destaque desta área é a reconstrução da Porta de Ishtar, o oitavo portal da muralha que cercava a cidade mesopotâmica da Babilônia e através do qual se tinha acesso à cidade. O portal, dedicado à deusa Ishtar, já foi considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e após alguns séculos foi substituído da lista pelo Farol de Alexandria.

A Porta de Ishtar possui 14m de altura e 30m de largura e impressiona pela sua grandeza e beleza:

DSC_0232_2

O Portal foi construído em tijolos de vidro coloridos e decorado com os animais sagrados da Babilônia. O Caminho Processional era o caminho que levava até a Porta de Ishtar e era revestido em tijolos de vidro e decorado com imagens de leões.

Outros museus do mundo também abrigam partes da Porta de Ishtar e leões do Caminho Processional. O Museu do Louvre e o Metropolitan Museum of Art, por exemplo, abrigam leões.

DSC_0212

Em seguida fomos para a área da Coleção de Antiguidades Clássicas onde estão expostos objetos, esculturas e partes de exemplares arquitetônicos da Grécia e Roma Antiga.

O primeiro monumento que visitamos foi o Portão do Mercado de Mileto, construído no ano 120 d. C. A fachada do portão que dava acesso ao mercado da cidade de Mileto possui 17m de altura x 29m de largura e é também impressionante:

DSC_0219_2

DSC_0214_2

Na sequência fomos para o Altar de Pérgamo, também localizado na área da Coleção de Antiguidades Clássicas. Construído no século II a. C. na cidade grega de Pérgamo, este altar era dedicado ao deus grego Zeus e foi reconstruído em tamanho original. É um monumento magnífico:

IMG_7113Pergamonmuseum, ou Museu de Pérgamo em português, recebeu este nome devido ao Altar de Pérgamo.

IMG_7116

DSC_0225_2Terminamos nossa visita na área do Museu de Arte Islâmica, onde estão expostas obras de arte dos povos islâmicos dos séculos VIII ao XIX. O destaque desta ala é a Fachada de Mshatta que possui 45m de extensão e fez parte do palácio Qasr Mshatta na Jordânia. Esta fachada foi um presente do sultão otomano Abdul Hamid II para o imperador Guilherme II da Alemanha:

DSC_0235_2Saímos do Pergamonmuseum e seguimos para o Neues Museum, que fica no prédio ao lado e é o segundo museu mais visitado da cidade. Este museu foi inaugurado no ano de 1859 mas sofreu sérios danos na época da II Guerra Mundial. No ano de 2009 reabriu as portas após ser reconstruído:

Captura de Tela 2014-12-21 às 23.04.50Fonte da imagem: http://www.smb.museum/museen-und-einrichtungen/neues-museum/home.html

No acervo deste museu há coleções sobre o Antigo Egito, Pré-história e História Antiga e também objetos da Coleção de Antiguidades Clássicas.

DSC_0247_2

DSC_0248_2

DSC_0250_2

DSC_0259_2

DSC_0267_2É neste museu que está exposto o busto da rainha egípcia Nefertiti, o principal artefato em exibição. É realmente impressionante o quanto este busto é perfeito, parece que é uma mulher que está diante de nós. Infelizmente não é permitido tirar fotos da escultura.

Comprei um cartão postal na loja do museu com a imagem e como já estava traumatizada por ter perdido os cartões que comprei na Inglaterra, carreguei estes com cuidado e muita atenção durante todo o dia. E adivinhem: esqueci o pacote na loja de conveniência que entramos no fim do dia! Até voltei lá no dia seguinte bem cedo, mas não encontrei o pacote…

230px-Nofretete_Neues_Museum

Fonte da imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/Nefertiti_Bust

Almoçamos no restaurante do museu e foi uma boa pedida, pois os pratos são leves e bem saborosos. Saímos de lá e fomos para a estação de metrô. E no caminho nos deparamos com a o contraste arquitetônico dos edifícios que compõem o Museu Histórico Alemão (Deutsche Historiche Museum): na foto abaixo é possível ver à direita o edifício Zeughaus que é o edifício mais antigo da avenida Unter den Linden, inaugurado no ano de 1706, e à esquerda o edifício anexo de arquitetura contemporânea, construído no ano de 2003 e projetado pelo arquiteto Ieoh Ming Pei. Não deu tempo de visitar este museu, já está na lista de “motivos para retornar a Berlim”!

DSC_0279_2Enquanto caminhávamos pelas ruas da cidade, nos deparamos com uma escultura enorme que parece apoiar o edifício do Collegium Hungaricum:

IMG_5647Pegamos o metrô e fomos para o Museu Judaico de Berlim (Jüdisches Museum Berlin) projetado pelo arquiteto Daniel Libeskind (o mesmo arquiteto que projetou os museus Imperial War Museum North em Manchester – post aqui – e também o Contemporary Jewish Museum em São Francisco – post aqui).

IMG_7149Segurança neste museu é assunto sério: há uma viatura da polícia durante todo o dia em frente ao edifício e para entrar no museu é necessário passar pelo Raio-X, o mesmo procedimento dos aeroportos.

DSC_0284_2Museu Judaico de Berlim foi inaugurado no ano de 2001 após 12 anos de obras e cortes de orçamento e é o maior museu judaico da Europa. Ocupa dois edifícios completamente antagônicos: o Kollegienhaus – o Tribunal da Justiça Prussiano (à direita na foto abaixo) – construído no ano de 1735 e um dos poucos representantes do estilo barroco e o edifício projetado por Daniel Libeskind (à esquerda na foto abaixo) revestido em zinco e um exemplar da arquitetura pós-moderna. A entrada para o museu é feita através do existente Kollegienhaus onde também estão localizados a bilheteria, a loja do museu, salas para exposições temporárias, salas para eventos e um restaurante.

Museu Judaico de BerlimO novo edifício projetado por Libeskind é dotado de simbolismos: sua forma em zigue-zague (foto abaixo) já foi interpretada como sendo a estrela de Davi quebrada e suas janelas se assemelham a rasgos, como se a fachada estivesse mutilada e retalhada em uma alusão ao Holocausto.

Captura de Tela 2014-12-22 às 12.57.35

Vista aérea do museu – Fonte da imagem: http://www.jmberlin.de/main/EN/00-Visitor-Information/00-visitorinformation.php

Após passar pelo Raio-X e bilheteria, descemos até o subsolo do novo edifício e começamos a visita pelo museu. Lá encontramos três caminhos a serem seguidos – três eixos que se cruzam e que representam realidades da história dos judeus na Alemanha:

O Eixo do Exílio leva ao exterior do edifício onde está o E.T.A. Hoffmann-Garten, um jardim composto de 49 blocos inclinados de concreto, preenchidos com terra e com salgueiros plantados no topo (simbolizam esperança). O bloco central possui terra vinda de Jerusalém e os demais possuem terra de Berlim:

DSC_0300_2

Toda a área do jardim está inclinada a 12 graus para causar sensação de instabilidade e desorientação no visitante, uma alusão ao sentimento dos judeus quando foram expulsos da Alemanha. O acesso ao jardim é feito por um caminho com piso irregular e íngreme e que vai se tornando estreito até chegar a uma grande porta de aço e na entrada há um aviso informando que algumas pessoas podem se sentir mal lá dentro e ter vertigens, em função da inclinação do terreno. Eu me senti mal lá dentro à medida que caminhava, pois os blocos de concreto são muito altos e bem próximos uns dos outros. Senti uma leve ânsia e logo saí do jardim.

IMG_7151

O Eixo do Holocausto é um caminho até o Holocaust-Void (vazio do holocausto): uma sala de concreto que possui a mesma altura do museu (22 metros) com uma pequena abertura no topo por onde entra um feixe de luz. Este lugar representa o grande vazio, a lembrança e a morte. Não tirei foto deste espaço, mas pela descrição acima já dá para ter uma noção da sensação de angústia e tristeza que senti lá dentro.

O último eixo – e o maior de todos – é o Eixo da Continuidade que se inicia no subsolo e segue através de uma escadaria até o primeiro e segundo pavimento, onde há a exposição permanente do museu. Este eixo representa a continuidade da história do povo judeu que sobreviveu ao Holocausto e ao Exílio.

DSC_0299_2 IMG_7153

O acervo do Museu Judaico de Berlim é vasto, rico, interativo e oferece aos visitantes mais do que histórias do Holocausto: ele nos entrega dois milênios da história judaico-alemã passando pelo universo infantil judaico, a culinária Kosher, os casamentos entre judeus, arte, cultura, tradições etc. A melhor descrição que encontrei sobre o museu é da diretora de programação do local, Cilly Kugelmann: “A casa é uma metáfora da difícil e complicada história dos alemães e dos judeus, dos judeus alemães e dos judeus na Alemanha”.

DSC_0303_2

DSC_0304_2

DSC_0301_2

IMG_7154

DSC_0306_2

Passamos mais de 3h dentro do museu e só saímos de lá porque já estava no horário de encerramento. Conseguimos ver toda a exposição permanente, mas se pudesse teria passado mais uma hora lá dentro. Tudo lá dentro é interativo e fascinante, além de ser um museu onde o projeto arquitetônico guia o visitante com enorme maestria. Foi um dos museus que mais gostei até hoje e saí de lá ainda mais admirada pela cultura judaica!

Saímos do museu e fomos de metrô até o restaurante Cocolo Ramen cuja especialidade é o Ramem ou Lámen, prato japonês de origem chinesa composto por macarrão, algas, cebolinha, carne de porco, verduras, legumes e o tempero do caldo pode ser à base de shoyu, sal ou missô. O Du pediu a versão com carne de porco (shoyu tyashu) e eu pedi a versão vegetariana – o milho, que amo, sempre me chama a atenção! – que estava muito boa, mas não estava melhor do que o Lamen Kazu aqui de São Paulo. Pedimos uma porção de gyoza que estava deliciosa. Para beber fui de limonada caseira adoçada com mel, muito saborosa, e o Du foi de cerveja.

IMG_5666

O restaurante é pequeno e está sempre lotado. Chegamos pouco tempo depois da abertura e conseguimos uma mesa após poucos minutos de espera. Ficamos na área externa e dividimos uma mesa comunitária com 10 pessoas. Pelo que percebemos, a maioria das pessoas que frequenta o local é morador da cidade. Estava uma noite agradável e o clima mais alternativo do restaurante colaborou ainda mais para que aproveitássemos o fim do dia cansativo, porém enriquecedor e que rendeu muito!

 

O primeiro compromisso do dia foi o Free Walking Tour, um passeio a pé pelos principais pontos turísticos da cidade com um guia em um grupo de aproximadamente 20 pessoas. Basta fazer a inscrição pelo site (clique aqui) e comparecer no dia e horário agendado. Ao final do passeio cada participante paga o valor que acha que valeu. É uma ótima forma de ter uma visão geral sobre a cidade e ainda conhecer lugares e curiosidades que somente um guia nos contaria.

foto

O ponto de encontro era no Starbucks às 11h e como não tomamos café no hotel, resolvemos comer alguma coisa por lá. O Starbucks fica na Pariser Platz, praça na região central da cidade que abriga edifícios de embaixadas e do parlamento.

O tour começou às 11h e o nosso guia foi o inglês Mark Curtis (de camisa roxa na foto abaixo). Para quem pretende fazer este tour e gosta de surpresas, recomendo pular para o fim do post, pois vou contar o que vimos e o que o guia nos disse. *Contém spoilers*

IMG_5592

O primeiro ponto turístico que nosso guia nos mostrou foi o Portão de Brandemburgo, localizado na Pariser Platz e um dos monumentos mais importantes da Alemanha.

O Portão de Brandemburgo, inaugurado no ano de 1791, é o segundo portão ali instalado. O primeiro foi erguido no ano de 1658 e demolido em 1788. A função do atual portão era fornecer acesso direto ao rei Frederico Guilherme II a partir do palácio real ao Tiergarten, o segundo maior parque de Berlim. Através da passagem central, apenas o rei e seus convidados tinham o acesso liberado.

IMG_5582

No topo do portão há uma escultura em bronze composta por quatro cavalos lado a lado conduzindo uma carruagem (quadriga) onde está a Deusa da paz Irene. A escultura foi instalada no ano de 1973 mas no ano de 1806, com a chegada das tropas francesas na cidade, foi enviada para a França a pedido de Napoleão Bonaparte.

DSC_0079

Em abril de 1814 a escultura foi recuperada e trazida de volta à capital alemã. À pedido do então Rei Frederico Guilherme III, acrescentaram uma cruz de ferro e uma águia prussiana à escultura de bronze e esta passou a ser dedicada à Deusa Vitória.

Pouco antes do fim da II Guerra Mundial, o portão e a escultura em bronze foram danificados e no ano de 1950 o que restou da quadriga foi destruído. Em 1958 foi reconstruída e instalada novamente sem a águia e a cruz, mas desta vez sua posição ficou invertida. Somente em 1991 é que estes elementos foram reincorporados à quadriga.

DSC_0074

É também na Pariser Platz que está o Hotel Adlon: hotel de luxo construído em 1907 que foi completamente destruído na II Guerra Mundial e foi reconstruído e inaugurado em 1984.

É lá que as autoridades estrangeiras se hospedam e também foi neste hotel que Michael Jackson apresentou, de forma nada convencional, seu filho Prince Michael II, com apenas 9 meses de idade na época (neste vídeo dá para rever o acontecido).

DSC_0981

Seguimos caminhando e em poucos minutos chegamos ao Memorial do Holocausto, projetado pelo arquiteto norte-americano Peter Eisenman e construído entre os anos de 2003 e 2004.

DSC_0983

O memorial consiste em 2.711 blocos de concreto espalhados em uma área de 19 mil m2 em um terreno ondulado. Não há placa indicando seu nome, nem mesmo há um local de entrada e saída: o visitante entra e sai por onde quiser. Peter Eisenman não descreveu a mensagem que quis passar através do projeto, pois cada visitante deve ter sua própria percepção e interpretação do monumento.

Caminhar entre os milhares de blocos de concreto causa uma sensação de estranhamento, solidão, surpresa, medo. À medida que avançamos pelo terreno inclinado, os blocos parecem crescer e nos engolir. O guia nos perguntou o que sentimos e interpretamos deste monumento e as repostas foram variadas: uns disseram que o local é a representação de um cemitério de judeus, outros disseram que as diferentes alturas representam a forma lenta e brutal como o holocauto aos judeus aconteceu, outros disseram que caminhar entre os blocos seria a maneira como os judeus eram transportados até os campos de concentração. A verdade é que não existe certo ou errado e a genialidade do arquiteto neste projeto se dá exatamente por isso: é um local de reflexão e garante uma experiência sensorial e única para cada visitante.

DSC_0161

Este é, provavelmente, o monumento mais polêmico de Berlim, quiçá da Alemanha: a obra teve um altíssimo custo e consumiu nada menos do que €27 milhões, a contratação da empresa Degussa para fornecer um produto anti pichações a ser aplicado nos blocos de concreto e que foi também a fornecedora do gás utilizado nas câmaras de gás dos campos de concentração e o fato de o Memorial ser, a princípio, dedicado somente às vítimas judias e não fazer menção aos demais perseguidos pelos nazistas (homossexuais, comunistas, presos políticos, ciganos – mais de 500mil deles foram assassinados, Testemunhas de Jeová).

DSC_0157

Foi publicada uma matéria no site do El País em dezembro de 2013 (leia aqui) relatando uma grave infiltração nos blocos de concreto e posteriores fissuras em mais 2/3 dos mesmos causadas pelo congelamento da água na época do inverno.

IMG_5585

Após a parada no monumento, seguimos a pé e paramos em um estacionamento de um condomínio residencial. Todos os participantes ficaram se olhando sem entender o motivo da parada, afinal o que tinha de turístico ali? E foi exatamente o que o guia nos perguntou: ‘O que vocês imaginam que estamos fazendo aqui?”. Ninguém arriscou uma resposta, talvez o mais lógico seria uma parada para descansar, mas não fazia sentido porque havia pouco tempo que estávamos caminhando.

E aí o guia nos disse que estávamos no local onde foi construído a 5m de profundidade o bunker (abrigo subterrâneo) para onde Hitler se mudou poucos meses antes do término da II Guerra e também o local onde ele e a então esposa Eva Braum se suicidaram no ano de 1945, um dia após se casarem. O bunker foi destruído pelas tropas soviéticas após o término da guerra, para evitar que o local virasse um ponto de encontro de culto ao nazismo. Também por este motivo foi construído o condomínio de edifícios residenciais e estacionamento de veículos dos moradores no local:

DSC_0987

A poucos metros dali está o edifício que abriga o atual Ministério Federal das Finanças da Alemanha. Até aí nada demais, a não ser pelo fato de que pertencia aos nazistas e era a sede do Ministério da Aviação do Reich. É um dos poucos edifícios que sobreviveram aos bombardeios aéreos e exatamente por isto o único local que poderia abrigar imediatamente a Casa dos Ministérios da República Democrática Alemã (RDA):

DSC_0990

Após uma pausa de meia hora em uma lanchonete, seguimos a pé e encontramos as marcas do antigo Muro de Berlim. Sobrou pouco do que era o muro e as marcas desta construção foram mantidas para que este período da história alemã e do mundo não seja esquecido:

IMG_5587

O muro que dividiu a capital alemã em uma porção capitalista (Berlim Ocidental) e a outra socialista (Berlim Oriental) foi construído na madrugada de 13 de agosto de 1961 por 34 mil trabalhadores, sob ordem do regime da extinta República Democrática Alemã.

E não era um muro qualquer: eram 43km de fronteira fechada entre as duas partes da cidade e outros 112km que cercavam a parte externa de Berlim Ocidental, 302 torres, 20 bunkers, 259 postos para cães de guarda e 127km de cercas com detectores para evitar por completo o acesso ao lado ocidental de Berlim.

Em toda a extensão do Muro de Berlim havia postos de fronteira e o mais conhecido deles é o Checkpoint Charlie, que atualmente é atração turística na capital alemã. Este posto servia de passagem do lado ocidental para o lado oriental para estrangeiros e membros das Forças Aliadas, os quais não tinha permissão para utilizar outra passagem que fosse destinada a estrangeiros.  Na porção ocidental há vários ícones da cultura capitalista, entre eles uma unidade do McDonald’s.

DSC_0997

Seguimos caminhando e chegamos à Gendarmenmarkt, praça localizada no centro histórico de Berlim. É lá que está o edifício da sede da Ópera Estatal de Berlim e foi onde fizemos uma pequena pausa:

DSC_0999

À esquerda do edifício da Ópera está a Catedral Francesa, construída no ano de 1705:

DSC_0998 DSC_1000

E ao lado direito da sede da Ópera Estatal de Berlim está a Catedral Alemã, construída no ano de 1708. Se você reparar na foto abaixo e na foto acima irá perceber que as catedrais francesa e alemã são praticamente idênticas:

IMG_7009

De lá seguimos caminhando até a Bebelplatz, nossa última parada. Em 1933 esta praça foi palco da queima de 20 mil livros pelos nazistas e seus simpatizantes por considerarem as ideias contidas nos exemplares contrárias à ideologista nazista. Os autores de alguns destes livros eram Sigmund Freud, Karl Marx e Rosa Luxemburg.

IMG_5593

Na praça também está localizado o prédio da escola de Direito da Universidade Humboldt:

DSC_1004

E em frente ao edifício da foto acima há uma placa de vidro que é uma obra de arte do israelense Micha Ullman chamada “Biblioteca”. A foto que tirei não está boa (o vidro estava bem sujo neste dia), mas o que se vê através dele são prateleiras vazias de uma biblioteca subterrânea, uma alusão aos livros que foram queimados pelos nazistas:

DSC_1002

O passeio acabou por volta das 13:40h e valeu muito a pena, recomendo demais! De lá eu e o Du seguimos andando pelas ruas da cidade para conhecer a parte que não vimos no tour. De longe já avistamos a cúpula da Catedral de Berlim (Berliner Dom) e fomos vê-la de perto:

DSC_0016_2

Esta catedral protestante foi construída entre os anos de 1894 e 1905 e é possível visitar seu interior e ainda subir 270 degraus até seu topo, de onde se tem uma bela visão da cidade. A visita é paga e como estávamos famintos, preferimos admirá-la somente pelo lado de fora. A riqueza de detalhes impressiona os olhos:

DSC_0022_2

A catedral está localizada na Ilha dos Museus, às margens do Rio Spree:

DSC_0051_2

Seguimos andando e resolvemos parar em uma galeria com vários restaurantes e bares para almoçar. Não me lembro o nome do lugar, mas é bem próximo da Catedral e é bem agradável para fazer uma pausa e comer alguma coisa:

DSC_0032_2

Pedimos salsicha com salada de batatas e uma cerveja para acompanhar. Estávamos famintos e devoramos tudo!

IMG_5604

Após pausa para o almoço, seguimos caminhando sem rumo e paramos na Igreja de Santa Maria (Marienkirche), uma das mais antigas da cidade. Na foto abaixo está a igreja e ao fundo a Torre de Televisão de Berlim, com 368m de altura:

DSC_0035_2

Próximo à Igreja está a Fonte Netuno (Neptunbrunnen), uma das mais antigas da capital alemã:

DSC_0042_2

DSC_0048_2

E em frente à fonte está o prédio da Prefeitura (Rotes Rathaus), na foto abaixo. Os tubos coloridos em frente à Prefeitura estão espalhados por toda a cidade e nos deixaram intrigados. Descobrimos que Berlim está construída sobre um pântano e estes tubos servem para transportar a água drenada. E eles possuem desvios e curvas para evitar que a água congele durante o inverno:

DSC_0044_2

E seguimos andando… Os semáforos da região leste da cidade, que pertencia à Berlim Oriental antes da reunificação, ainda possuem os bonequinhos de chapéu para indicar aos pedestres “Pare” ou “Siga”:

DSC_0060_2

Este pictograma, conhecido como Ampelmann, foi criado em 1961 pelo psicólogo Karl Peglau e aplicado nos semáforos no ano de 1969. Após a reunificação da Alemanha o famoso bonequinho quase foi extinto mas a maioria da população foi contra. Existe até uma loja que comercializa vários itens com o Ampelmann estampado

DSC_0062_2

Seguimos para o Reichstag, edifício do Parlamento Alemão, construído em 1894. O edifício atual não é exatamente o mesmo do século XIX: em 1933 um misterioso incêndio destruiu a sala do plenário e a cúpula do Reichstag. A partir do ano de 1961 iniciou-se a reforma da edificação e após 10 anos foi finalizada.

DSC_0137Entre os anos de 1995 e 1999 o Reichstag passou por outra reforma, desta vez orquestrada pelo arquiteto inglês Sir Norman Foster. Além da reforma, foi incorporada uma cúpula de vidro sobre o plenário de 23,5m de altura e 40m de diâmetro que pesa 1.200 toneladas e foram utilizados 700 toneladas de aço inox e 3.000m2 de vidro.

DSC_0143

A cúpula é aberta a visitas gratuitas que devem ser agendadas com bastante antecedência no site do Parlamento Alemão (clique aqui). Fiz nossas reservas quando ainda faltava mais de 01 mês para a viagem (sim, sou freak com organização!). É importante levar o papel da reserva impresso no dia da visita (eles enviam por e-mail) e documento com foto para identificação de cada visitante (levamos o passaporte). Chegamos um pouco antes do horário marcado e nossa entrada foi liberada. E a parte boa é que não há hora para sair de lá, cada um decide o tempo que quer gastar lá dentro. É necessário passar pelo Raio-X, igual no aeroporto. Pegamos o áudio guia na recepção na opção Português e gratuito e seguimos para o elevador.

Em poucos minutos chegamos ao terraço onde está instalada a cúpula:

DSC_0125

E lá de cima é possível avistar praticamente toda a cidade de Berlim:

DSC_0124 DSC_0096

Dentro da cúpula há uma rampa que leva até o topo, onde é possível sentar em bancos e apreciar com calma a cidade e o céu, já que o topo da cúpula é descoberto:

DSC_0118

DSC_0103

Enquanto caminhávamos o áudio guia ia fornecendo informações sobre o edifício e passagens da história alemã.

Na parte central do interior da cúpula foi instalado um cone invertido revestido em aletas espelhadas inclinadas para que a luz do horizonte seja refletida no interior da edificação e, desta forma, ilumina de forma natural a sala do plenário. E é através do interior deste cone que passa o ar do interior do edifício, atuando como um importante elemento do sistema de ventilação natural através do Efeito Chaminé. Na foto abaixo dá para visualizar a cobertura de vidro da sala do plenário (na base do cone invertido):

DSC_0097 DSC_0113

A sensação que tive quando comecei a subir a rampa interna é de que estava em algum filme de ficção científica, tipo Minority Report, de tão contemporânea e tecnológica que é o interior da cúpula. E no terraço temos o contraste com as torres mais antigas do edifício:

DSC_0086

Vale muito a pena fazer esta visita, é uma experiência única e ainda por cima gratuita!

Saímos de lá e seguimos andando enquanto ainda tínhamos pique! E de repente aparece uma obra de arte na calçada, surpresas típicas da cidade:

DSC_0164

Chegamos sem planejar até o Topographie des Terrors (Topografia do Terror), um museu/memorial a céu aberto com um acervo muito completo sobre as atrocidades cometidas durante o regime nazista. A entrada também é gratuita e é possível passar horas por lá.

DSC_0177É neste local que ficava a sede da Polícia Secreta (Gestapo) e onde foram planejados os crimes cometidos pelos nazistas.

DSC_0167Este museu está ao lado de um trecho ainda preservado do Muro de Berlim:

DSC_0180Quando saímos de lá o sol estava começando a se pôr (já eram quase 20h) e ainda passamos no Chekpoint Charlie e Gendarmenmarkt. A luz do sol refletindo nas edificações estava simplesmente deslumbrante:

DSC_0189

Por fim já estávamos acabados de tanto andar o dia inteiro. Compramos umas cervejas e snacks em uma loja de conveniência e fomos direto pro hotel.

O dia foi bem intenso mas aproveitamos muito, deu para ter uma noção do que é Berlim, de como é uma cidade cosmopolita, amistosa, receptiva e que tem muita história para nos contar. Ver de perto uma cidade que teve 90% de suas edificações e estrutura destruídas durante a guerra e que atualmente está recuperada e melhor do que muita cidade mais antiga, me deixou admirada pela capacidade e determinação do povo alemão. E fiquei ainda mais animada para conhecê-la melhor!

%d blogueiros gostam disto: