DESERTO DO ATACAMA: QUARTO DIA

Deixamos para conhecer o Salar de Tara em nosso último dia e foi a decisão mais acertada, pois é o passeio que tem a duração maior e o que mais exige fisicamente dos turistas – o passeio é feito em uma van que percorre trilhas em solo irregular, com subidas e descidas e durante aproximadamente cinco horas de passeio a altitude média é de 4.300m.

Poucas as agências fazem este passeio, pois o Salar de Tara não possui infraestrutura para turismo como os outros locais e é necessário ir com um guia que realmente conheça a região. Desta forma, há poucos turistas por lá e a atmosfera inóspita do local é mantida. Durante todo o passeio só encontramos com uma van que era da mesma agência que a nossa na pausa que fizemos para o almoço.

Este foi o único passeio que fizemos com a agência Maxim Experience, pois o veículo da agência Grado 10 tem capacidade somente para 06 pessoas e nosso grupo era composto por 10 integrantes (aqui é necessário um veículo menor 4X4 por causa do terreno instável). Às 8h o guia Eric nos buscou no hotel e embarcamos na van rumo ao nosso passeio.

Seguimos pela estrada asfaltada e nossa primeira parada foi nas proximidades dos vulcões Licancabur (canto esquerdo da foto abaixo) e seu vizinho Juriques (canto direito da foto abaixo). Olhando de longe estes vulcões parecem bem pequenos e fáceis de escalar, mas poucos turistas enfrentam mais de cinco horas de caminhada para chegar ao cume, que está a mais de 5.000m de altitude.

DSC_0838Do outro lado da estrada encontramos algumas vicunhas, que é a espécie selvagem dos camelídeos andinos cujo pelo tem altíssimo valor comercial:

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Após 100km de asfalto entramos em uma estrada de terra e em poucos quilômetros já não havia demarcação do caminho. Percorremos aproximadamente 40km em meio à imensidão do deserto e éramos as únicas pessoas ali presentes. O guia é experiente e já esteve inúmeras vezes no local, portanto sabia exatamente por onde seguir.

A paisagem era totalmente árida, mas diferentemente do deserto onde há dunas de areia por todos os lados, estávamos percorrendo um solo repleto de pedras. Fizemos uma parada e o guia bateu uma pedra na outra e nos mostrou seu interior: era vidro vulcânico, conhecido como obsidiana. E aí ele nos explicou que estávamos sobre a cratera do segundo maior super vulcão do mundo!

Seguimos viagem e fomos até os Monjes de la Pakana, também conhecidos como os “Moais de Tara”, que são formações rochosas de características vulcânicas moldadas durante milhões de anos pela erosão do vento. São os guardiões do Salar:

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O guia nos deixou caminhando e apreciando a paisagem e nos encontramos com ele alguns metros a frente, onde tomamos o café da manhã. Estávamos rodeados por vulcões, formações rochosas excêntricas e diante de todo o poder da natureza:

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Após a refeição seguimos de van e foi um sacolejo total! Subimos e descemos por vários trechos enquanto o guia nos explicava todos os aspectos geográficos e geológicos da região. Fizemos uma parada e ele nos disse para explorarmos a região, onde ficamos por aproximadamente meia hora. Apesar do sol forte, estava frio e ventava bastante.

Vimos outras formações de pedras, verdadeiras esculturas que parecem ter sido milimetricamente esculpidas. Nesta hora me empolguei e fui correndo subir na pedra para tirar foto. Imediatamente minha cabeça começou a doer e perdi o fôlego rapidamente.

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Seguimos caminhando a passos lentos, pois a qualquer movimento brusco o corpo respondia imediatamente com sinais de falta de ar. Este passeio foi o mais contemplativo de todos os que fizemos, pois estávamos em um lugar vasto e imenso e só havia o nosso grupo no local. Para onde quer que olhássemos víamos diversas formações distintas, tudo muito diferente e encantador.

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Seguimos às margens das Catedrales de Tara que são esculturas de pedra esculpidas por milhares de anos pela ação do vento e chuva. Mais um belíssimo espetáculo da natureza:

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Após passar pelas Catedrales de Tara chegamos ao Salar de Tara propriamente dito, que dá nome ao local. De lá a vista para as Catedrales de Tara é ainda mais impressionante e dá para ver todo o paredão de rochas:

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Seguimos caminhando pela trilha próxima às margens da Laguna de Tara e a paisagem ficou ainda mais exuberante. “Tara” significa lugar de flamingos na língua kunza e lá havia vários deles:

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Fizemos uma pausa para almoçar e as opções eram bem resumidas: empanadas de frango, de carne e de vegetais e suco de laranja e pêssego em calda de sobremesa.

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Após a refeição seguimos de volta a San Pedro de Atacama, mas o passeio ainda não estava finalizado. Seguimos por um caminho diferente e ainda havia mais paisagens surpreendentes nos aguardando.

Encontramos uma pedra que já sofreu com os efeitos da erosão do vento e daqui a alguns anos provavelmente já terá desaparecido:

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Seguimos por vários quilômetros e de repente o guia parou a van no topo de uma montanha, de onde avistamos toda a imensidão da cratera do super vulcão:

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Continuamos o percurso e a paisagem foi mudando a cada quilômetro percorrido. Em determinado momento havia somente nós e muitas pedras e em poucos minutos surgiram vicunhas, bofedales e até uma lagoa de sal:

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E após percorrer vários quilômetros chegamos a uma lagoa de água doce, no meio do nada. Uma cena surreal para fechar o nosso passeio com chave de ouro:

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No trajeto de volta já estávamos cansados e capotamos na van! O guia nos deixou no hotel por volta das 16:30h e aí arrumamos as malas, descansamos e fomos aproveitar nossa última noite em San Pedro de Atacama no Cafe Adobe – o mesmo restaurante do primeiro dia. A garçonete que nos atendeu foi extremamente simpática e ainda conversou conosco em português o tempo todo (ela nos disse que está estudando português). A noite foi ótima e nos despedimos de San Pedro de Atacama da melhor maneira possível.

E assim terminou mais uma viagem, que foi totalmente diferente de todas que já fiz até hoje com paisagens totalmente diferentes de tudo o que já vi na vida. Conhecer o Deserto do Atacama foi fazer uma viagem para dentro de mim mesma; um lugar onde a natureza guia os visitantes e dita o ritmo. É um lugar que nos faz refletir sobre a relevância e o significado de muitos aspectos da nossa vida. Certamente foi uma experiência que me marcou muito e um destino que recomendo a todos!

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3 comentários
  1. Marcio disse:

    Oi Izabela. Minha viagem pro Atacama sera domingo estou muito ansioso. Voce fez o cambio la mesmo? E uma ultima pergunta sobre o tour astronomico. Voce o fez?
    Mais uma vez obrigado.

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    • Oi Márcio!
      Que ótimo que sua viagem já está prestes a acontecer!
      Eu fiz o câmbio no aeroporto de Santiago, mas lá em San Pedro de Atacama há várias casas de câmbio e a taxa estava um pouco melhor do que onde troquei.
      Vale a pena trocar um pouco de dinheiro antes de chegar a Calama, assim terá como pagar o transfer e outras despesas pequenas. O restante pode trocar em San Pedro mesmo.
      Fiz o passeio do tour astronômico sim e gostei muito. Fiz com a agência Space Obs e coloquei algumas informações no post “Deserto do Atacama: Terceiro Dia” – dá uma olhada lá.
      Você vai amar a viagem e espero que dê tudo certo. Assim que voltar me conta o que achou?
      Espero ter ajudado!
      Beijos

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