DESERTO DO ATACAMA: TERCEIRO DIA

No terceiro dia no Deserto do Atacama o despertador tocou às 4h! Este era o último barulho que eu gostaria de ouvir de madrugada, ainda mais sabendo que era hora de levantar da cama. Mas o motivo era nobre: iríamos conhecer os Geysers del Tatio. Este é o maior campo de géiseres do hemisfério sul e terceiro maior do mundo, com aproximadamente 80 géiseres.

Saímos do hotel com meia hora de atraso – nós fomos pontuais mas a Grado 10 não – e ainda estava escuro. A estrada é sinuosa e rapidamente estávamos a mais de 4.500m de altura em relação ao nível do mar. O sol foi nascendo atrás das montanhas, nos dando uma pequena amostra do que veríamos na volta. E por volta das 7h chegamos ao nosso destino. A primeira parada foi no centro de visitantes, onde estão os únicos banheiros do local.

Em seguida fomos de ônibus até o campo de géiseres, onde o Alfredo, nosso guia e o melhor de todos os passeios que fizemos nesta viagem, nos deu algumas explicações sobre o local. El Tatio significa “O avô que chora” na língua atacameña e recebeu este nome devido a uma montanha do local que parece o rosto de um idoso de perfil. No inverno há o acúmulo de neve no topo desta montanha e quando a neve derrete parecem lágrimas vistas de longe. Na foto abaixo dá para ver de longe o rosto de perfil – tentem localizá-lo na porção central da foto abaixo:

DSC_0757A temperatura estava em torno de -10°C mas como o sol já estava brilhando no céu e não ventava, a sensação foi melhor do que imaginávamos – mas mesmo assim fazia frio. A condição ideal para ver os géiseres a todo vapor – me perdoem o trocadilho!  – é temperatura baixa e por isto é necessário chegar tão cedo ao local (horário em que está mais frio em relação ao restante do dia).

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O Alfredo nos explicou como os géiseres são formados: a água do rio subterrâneo, localizado a 200m abaixo do solo dos Geysers del Tatio, é aquecida ao entrar em contato com o magma. A alta temperatura somada à alta pressão faz com que a água entre em ebulição e suba até a superfície de forma rápida e violenta. Os jatos de água atingem quase 5m de altura e a temperatura da água chega a 80°C.

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Os géiseres possuem ciclos diferentes e é interessante observar cada um: a água começa a subir lentamente e em poucos segundos a altura vai aumentando, assim como a pressão com que ela é expulsa.

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Em meados de 2008 deu-se início à exploração dos géiseres para a extração de energia geotérmica, mesmo sob críticas do povo atacameño. Pouco mais de um ano após o início das atividades houve um vazamento de vapor e água de um dos poços e levou quase um mês para ser controlada. Desta forma, as atividades de exploração foram suspensas, mas até hoje o maquinário utilizado ainda está lá (canto direito da foto abaixo):

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À medida que o sol foi aquecendo o local os géiseres foram perdendo força e já não havia muito o que ver ali. E a temperatura foi ficando mais amena também.

Seguimos caminhando até a piscina geotermal onde é possível nadar e relaxar na água de temperatura aproximada de 30°C. Eu pulei esta experiência, pois do lado de fora estava bem frio e seria uma tortura na hora de sair da piscina. Mas quem foi garante que valeu a pena!

DSC_0767Em frente à piscina há vestiários para trocar de roupa, mas se ao sair da água as cabines estiverem ocupadas é necessário esperar no frio:

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Neste dia havia até uma noiva fazendo ensaio fotográfico por lá:

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Na sequência fomos tomar o esperado café da manhã que foi preparado pelo nosso guia. Estava tudo delicioso e curtimos muito nossa primeira refeição do dia. Com um cenário destes não tem como ser ruim, né?!

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Por volta das 10h voltamos para o ônibus e seguimos o caminho de volta a San Pedro de Atacama. Aí foi possível ver as belezas da estrada, agora iluminadas pelo sol.

Fizemos a primeira parada às margens do rio La Putana, emoldurado por vulcões e montanhas:

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IMG_6705 12.07.35A próxima parada foi para ver o Guatin Canyon. O Alfrerdo, nosso guia, nos disse que esta parada é exclusiva e somente ele faz. Se é verdade eu não sei, mas que o lugar é lindo isto é!

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Há vários cactos nas encostas de pedra e alguns deles chegam a medir 10m – a média de crescimento é de 1cm por ano, então imaginem há quanto tempo estes cactos estão por lá!

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Um cacto comum na região é o Cojin de la Suegra (travesseiro de sogra em português). Pela foto abaixo dá para imaginar o porquê deste nome! E claro que os três genros da minha mãe pegaram no pé dela nesta hora.

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A próxima e última parada foi no Povoado de Machuca onde são vendidos espetinhos de carne de llama – quando chegamos já estavam esgotados e nosso guia disse que tem quase certeza que a carne é de outro animal , empanadas de queijo de llama – estas sim experimentamos e estavam muito boas e artesanato local. Apenas cinco famílias residem neste local e somente uma delas possui concessão – alterada periodicamente – para explorar o comércio local.

O ônibus nos deixou no hotel por volta das 13h e aproveitamos para relaxar, dormir e tomar banho. Às 17h partimos a pé para o centrinho e fomos jantar no restaurante Ckunna, ótima dica do Juan.

Assim como o restaurante Cafe Adobe, o Ckunna tem uma fachada bem simples e não sugere o quão grande e agradável é por dentro:

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O garçon Chico nos atendeu muito bem – ele é muito atencioso e solícito – e fala português, ideal para não confundirmos taças com tazas.

O prato mais pedido da nossa mesa foi o filé recheado com queijo de cabra e purê de batatas. Quem comeu este prato garantiram que estava delicioso:

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Eu quis comer um prato típico da região e pedi o delicioso Pastel de Locos – versão vegetariana do Pastel de Choclos (prato a base de milho, manjericão e azeitonas) acrescido de cebola, pimenta, vinho branco, coentro e ovo:

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tivemos uma ótima experiência neste restaurante e saímos de lá às 21h, após algumas cervejas e vinhos. Seguimos a pé para a sede da agência Space Obs. Às 22h entramos no ônibus da agência e fomos até o local onde fizemos o tour astronômico. O trajeto durou pouco mais de 15 minutos.

Foram três horas de passeio e pudemos observar a olho nu e nos telescópios o céu estrelado e aprender a identificar a galáxias, estrelas, constelações etc. Em seguida o grupo se reuniu no interior da sede do local para conversar com o proprietário – um francês que se mudou para o Atacama há mais de 15 anos – e tirar as eventuais dúvidas. Nesta hora foram servidos chá, café e chocolate quente e à medida que a temperatura do corpo foi subindo o sono também foi tomando conta!

Terrasse-de-telescopesFonte da imagem: http://www.spaceobs.com/en

O passeio foi muito informativo e interessante, vale muito a pena. Saímos de lá por volta de meia noite e meia e para nosso alívio o motorista nos deixou no hotel, onde capotamos depois do intenso dia de passeios.

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3 comentários
  1. Marcio disse:

    Relatos muito bem detalhados e fotos otimas. Parabens!!
    Voce lembra quanto pagou pelos passeios?

    Curtir

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