DESERTO DO ATACAMA: SEGUNDO DIA

O segundo dia no Deserto do Atacama começou cedo: acordamos às 6h e às 6:30h o ônibus da Grado 10 nos buscou no hotel para o primeiro passeio do dia. Na noite anterior o Juan deixou saquinhos com lanches para levarmos no passeio, afinal não tomaríamos café da manhã no hotel:

IMG_6644

Estava bem frio na hora que saímos mas nada que uma blusa de manga comprida de fleece e outra de algodão não resolvessem o problema. Havia mantas no ônibus para os passageiros e foram suficientes para não passar frio no caminho.

Por volta das 8:30h, após 110km de estrada, chegamos ao primeiro destino do dia: Lagunas Altiplánicas, compostas pelas lagoas Miscanti – a maior, com 15km2 – e Miñiques – com 1,5km2 – e localizadas na base de vulcões homônimos.

Estávamos a mais de 4.000 metros de altitude e ventava bastante, mas o sol já estava brilhando no céu sem nuvens e ajudou a amenizar o frio. Descemos do ônibus após passar pela portaria e seguimos a pé até as margens da lagoa Miscanti:

DSC_0628

DSC_0622

O lugar é maravilhoso, um dos mais lindos que já visitei. E olha que o Deserto do Atacama é surpreendente e repleto de lugares magníficos, mas este, em especial, foi um dos mais belos de toda a viagem. O fato de haver poucas pessoas por lá – nosso grupo foi o primeiro a chegar ao local que recebeu somente mais duas vans – foi fundamental para contemplarmos o silêncio e toda a imensidão das lagoas.

DSC_0617

Há menos de um milhão de anos houve uma erupção no vulcão Miñiques que impediu o fluxo das águas provenientes da Alta Cordilheira até o Salar de Atacama. Desta forma, toda a água vinda da cordilheira passou a ficar estancada na base dos vulcões formando as duas lagoas.

DSC_0623

Nossa guia nos explicou a origem das lagoas e todos os aspectos geográficos do local. Na sequência ela foi caminhando para a lagoa Miñiques para preparar nosso café da manhã e nos deixou contemplando a paisagem. Após alguns minutos seguimos a pé pela trilha onde havia uma subida bem leve no final, mas aí o efeito da altitude pesou e na hora minha cabeça começou a doer bastante e o meu fôlego simplesmente se esgotou. Diminuí o passo e segui caminhando mais devagar do que uma tartaruga.

DSC_0626

Aproveitamos para usar o banheiro que havia no caminho – uma casinha bem modesta, mas limpa, para os funcionários do local. Após a caminhada o grupo se reuniu próximo à base da lagoa Miñiques que tem o tamanho inversamente proporcional à sua beleza. Esta lagoa parece uma pintura e a água reflete com perfeição as montanhas que a cercam:

DSC_0632

A lagoa Miñiques está a alguns metros abaixo da lagoa vizinha e há um canal subterrâneo que permite que receba água da lagoa Miscanti.

Nossa guia preparou o café da manhã com ovos, pães, café e chá. Foi a refeição mais especial que já fiz na vida, afinal estava em um lugar onde a natureza não economizou no quesito exuberância:

IMG_6650

De lá seguimos de ônibus para o povoado atacamenho de Socaire onde residem aproximadamente 400 habitantes. Fizemos uma parada na Iglesia antigua, principal patrimônio histórico do povoado, que contém obras do período colonial:

DSC_0638

DSC_0642Nossa última parada foi no Salar de Atacama que é o maior salar chileno e o segundo maior da Terra – no topo da lista está o Salar de Uyuni na Bolívia. São 3.000km2 de crostas de cristais de sal, resultado da evaporação do lago salobre subterrâneo.

DSC_0644

Fomos até as margens da Laguna Chaxa, onde é possível observar os diversos flamingos em busca de comida. Eles ficam com o bico dentro da água e giram em torno dele, parece um balé de aves:

DSC_0648

Os tons de azul e branco se misturam e as desfocadas montanhas ao fundo compões a belíssima paisagem:

DSC_0656

A semelhança da crosta de sal com os corais do mar e a água transparente das lagoas nos dá a impressão de que estamos em uma praia:

DSC_0655

Após meia hora aprendendo sobre a vida dos flamingos seguimos de ônibus de volta a San Pedro de Atacama. Eu, o Du e minha irmã mais nova com o marido ficamos no hotel para descansar um pouco. Por volta das 14h seguimos de bicicleta para o centrinho e nos encontramos com o resto do grupo no restaurante Delícias de Carmen, onde almoçamos pelo segundo dia consecutivo.

Às 16h nos encontramos na sede da agência Grado 10 com o guia e grupo que faria o segundo passeio do dia conosco. Seguimos de ônibus até as Lagunas Cejar e Piedra onde fizemos a primeira parada do passeio. Por ser um local próximo a San Pedro de Atacama (somente 25km) a concentração de turistas é bem alta, bem diferente das lagoas que visitamos na parte da manhã.

Na foto abaixo dá para ver a lagoa bem de longe (clique na foto para aumentá-la) e os pontos pequenos são os vários turistas que estavam por lá:

DSC_0668

Estas lagoas se formaram através da progressiva acumulação de sal precipitado de um antigo lago de elevada salinidade. A água das lagoas é proveniente das precipitações que caem sobre a bacia de drenagem e de lençóis subterrâneos.

A concentração de sal na Laguna Piedra é altíssima – maior do que no Mar Morto – e, desta forma, é impossível afundar dentro dela. A água é bem gelada – apesar de ter imaginado que seria insuportável – mas a sensação de ficar boiando e não afundar é muito boa! O ideal é ir com maiô / biquini / sunga por baixo da roupa para economizar tempo se trocando e é fundamental levar toalha para se enxugar após tirar o sal do corpo.

SONY DSC

Na foto abaixo está a Laguna Cejar onde não é permitido nadar:

DSC_0665

O local conta com uma estrutura para os visitantes que se chama Casa de Hóspedes e possui chuveiros de água doce – e gelaaaaaada – para tirar o sal do corpo, banheiros e cabines para trocar de roupa:

DSC_0670

Voltamos para o ônibus e seguimos pela estrada até o Ojos del Salar, onde fizemos outra parada. Os dois poços de água doce parecem olhos no meio do deserto e são resultado da erosão causada pelas águas do rio subterrâneo da região:

IMG_6662

 Lá é possível nadar para terminar de tirar o sal do corpo (para quem nadou na Laguna Piedra), mas ninguém do nosso grupo encarou a atração. Preferimos observar a paisagem peculiar e aproveitamos para tirar foto da família viajante:

DSC_0677De lá seguimos para a Laguna Tebenquiche, nossa última parada do dia. A água desta lagoa é proveniente das chuvas e do degelo das montanhas que a cercam.

DSC_0692

Onde não há água há sal, muito sal, o que nos dá a impressão de estarmos em uma geleira:

DSC_0699

IMG_6670

DSC_0707

Novamente a paisagem é surreal e magnífica, novamente a natureza impera. E ao redor da lagoa há montanhas e vulcões, incluindo o Licancabur que está em todos os lugares do Deserto do Atacama (nos segue igual o olhar da Monalisa):

DSC_0701

Após explorar o local o guia montou uma mesa e serviu queijo, castanhas e azeitona e um pisco sour bem ruim – era de garrafa que já vem pronto. Fomos ao banheiro e quando chegamos não havia quase nada para contar história! Mas foi tão meia boca que nem achei ruim.

E à medida que o sol foi se pondo assistíamos a um belíssimo espetáculo de mudança de cores: do azul para o amarelo e do marrom para o rosa.

DSC_0721

DSC_0731

DSC_0726

E quando a gente imagina que não dá para ficar mais belo, fomos presenteados com um pôr do sol deslumbrante:

DSC_0728

Chegamos a San Pedro de Atacama por volta das 20:30h. Minhas irmãs e os maridos foram comer uma pizza e eu, o Du e o restante do grupo passamos em um mercadinho e compramos comida para comer no hotel. Queríamos descansar bastante e dormir o máximo possível, afinal teríamos que acordar de madrugada para o passeio do dia seguinte.

Anúncios
1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: