BERLIM: SEGUNDO DIA

O segundo dia na capital alemã começou às margens do Rio Spree, onde fomos tomar o café da manhã. Escolhemos uma lanchonete qualquer e aproveitamos para curtir o sol da bela manhã de primavera.

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Já passava das 11h e não resisti ao sorvete de pistache! De lá seguimos para a Ilha dos Museus (Museumsinsel), a poucos metros de onde estávamos, que é uma ilha no Rio Spree declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO onde há cinco museus: Altes Museum, Neues Museum, Alte Nationalgalerie, Bode-Museum Pergamonmuseum.

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Visão geral da Ilha dos Museus – Fonte da imagem: http://www.museumsinsel-berlin.de/en/masterplan/entrances/

Compramos o Museum pass Berlin por €24, um passe que dá direito a visitar mais de 50 museus na cidade durante 03 dias. Vale muito a pena, pois somente a entrada para o Neues Museum e Pergamonmuseum custam €24 (€12 cada um).

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O primeiro museu que visitamos foi o Pergamonmuseum, o museu mais visitado da cidade e também o mais novo da Ilha. Este museu está dividido em três áreas: Museu do Antigo Oriente Médio, Coleção de Antiguidades Clássicas e Museu de Arte Islâmica.   

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Pegamos o audioguia na recepção (é distribuído gratuitamente) e iniciamos a visita na área do Museu do Antigo Oriente Médio onde estão expostas antiguidades da Suméria, Assíria e Babilônia.

O destaque desta área é a reconstrução da Porta de Ishtar, o oitavo portal da muralha que cercava a cidade mesopotâmica da Babilônia e através do qual se tinha acesso à cidade. O portal, dedicado à deusa Ishtar, já foi considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e após alguns séculos foi substituído da lista pelo Farol de Alexandria.

A Porta de Ishtar possui 14m de altura e 30m de largura e impressiona pela sua grandeza e beleza:

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O Portal foi construído em tijolos de vidro coloridos e decorado com os animais sagrados da Babilônia. O Caminho Processional era o caminho que levava até a Porta de Ishtar e era revestido em tijolos de vidro e decorado com imagens de leões.

Outros museus do mundo também abrigam partes da Porta de Ishtar e leões do Caminho Processional. O Museu do Louvre e o Metropolitan Museum of Art, por exemplo, abrigam leões.

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Em seguida fomos para a área da Coleção de Antiguidades Clássicas onde estão expostos objetos, esculturas e partes de exemplares arquitetônicos da Grécia e Roma Antiga.

O primeiro monumento que visitamos foi o Portão do Mercado de Mileto, construído no ano 120 d. C. A fachada do portão que dava acesso ao mercado da cidade de Mileto possui 17m de altura x 29m de largura e é também impressionante:

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Na sequência fomos para o Altar de Pérgamo, também localizado na área da Coleção de Antiguidades Clássicas. Construído no século II a. C. na cidade grega de Pérgamo, este altar era dedicado ao deus grego Zeus e foi reconstruído em tamanho original. É um monumento magnífico:

IMG_7113Pergamonmuseum, ou Museu de Pérgamo em português, recebeu este nome devido ao Altar de Pérgamo.

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DSC_0225_2Terminamos nossa visita na área do Museu de Arte Islâmica, onde estão expostas obras de arte dos povos islâmicos dos séculos VIII ao XIX. O destaque desta ala é a Fachada de Mshatta que possui 45m de extensão e fez parte do palácio Qasr Mshatta na Jordânia. Esta fachada foi um presente do sultão otomano Abdul Hamid II para o imperador Guilherme II da Alemanha:

DSC_0235_2Saímos do Pergamonmuseum e seguimos para o Neues Museum, que fica no prédio ao lado e é o segundo museu mais visitado da cidade. Este museu foi inaugurado no ano de 1859 mas sofreu sérios danos na época da II Guerra Mundial. No ano de 2009 reabriu as portas após ser reconstruído:

Captura de Tela 2014-12-21 às 23.04.50Fonte da imagem: http://www.smb.museum/museen-und-einrichtungen/neues-museum/home.html

No acervo deste museu há coleções sobre o Antigo Egito, Pré-história e História Antiga e também objetos da Coleção de Antiguidades Clássicas.

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DSC_0267_2É neste museu que está exposto o busto da rainha egípcia Nefertiti, o principal artefato em exibição. É realmente impressionante o quanto este busto é perfeito, parece que é uma mulher que está diante de nós. Infelizmente não é permitido tirar fotos da escultura.

Comprei um cartão postal na loja do museu com a imagem e como já estava traumatizada por ter perdido os cartões que comprei na Inglaterra, carreguei estes com cuidado e muita atenção durante todo o dia. E adivinhem: esqueci o pacote na loja de conveniência que entramos no fim do dia! Até voltei lá no dia seguinte bem cedo, mas não encontrei o pacote…

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Fonte da imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/Nefertiti_Bust

Almoçamos no restaurante do museu e foi uma boa pedida, pois os pratos são leves e bem saborosos. Saímos de lá e fomos para a estação de metrô. E no caminho nos deparamos com a o contraste arquitetônico dos edifícios que compõem o Museu Histórico Alemão (Deutsche Historiche Museum): na foto abaixo é possível ver à direita o edifício Zeughaus que é o edifício mais antigo da avenida Unter den Linden, inaugurado no ano de 1706, e à esquerda o edifício anexo de arquitetura contemporânea, construído no ano de 2003 e projetado pelo arquiteto Ieoh Ming Pei. Não deu tempo de visitar este museu, já está na lista de “motivos para retornar a Berlim”!

DSC_0279_2Enquanto caminhávamos pelas ruas da cidade, nos deparamos com uma escultura enorme que parece apoiar o edifício do Collegium Hungaricum:

IMG_5647Pegamos o metrô e fomos para o Museu Judaico de Berlim (Jüdisches Museum Berlin) projetado pelo arquiteto Daniel Libeskind (o mesmo arquiteto que projetou os museus Imperial War Museum North em Manchester – post aqui – e também o Contemporary Jewish Museum em São Francisco – post aqui).

IMG_7149Segurança neste museu é assunto sério: há uma viatura da polícia durante todo o dia em frente ao edifício e para entrar no museu é necessário passar pelo Raio-X, o mesmo procedimento dos aeroportos.

DSC_0284_2Museu Judaico de Berlim foi inaugurado no ano de 2001 após 12 anos de obras e cortes de orçamento e é o maior museu judaico da Europa. Ocupa dois edifícios completamente antagônicos: o Kollegienhaus – o Tribunal da Justiça Prussiano (à direita na foto abaixo) – construído no ano de 1735 e um dos poucos representantes do estilo barroco e o edifício projetado por Daniel Libeskind (à esquerda na foto abaixo) revestido em zinco e um exemplar da arquitetura pós-moderna. A entrada para o museu é feita através do existente Kollegienhaus onde também estão localizados a bilheteria, a loja do museu, salas para exposições temporárias, salas para eventos e um restaurante.

Museu Judaico de BerlimO novo edifício projetado por Libeskind é dotado de simbolismos: sua forma em zigue-zague (foto abaixo) já foi interpretada como sendo a estrela de Davi quebrada e suas janelas se assemelham a rasgos, como se a fachada estivesse mutilada e retalhada em uma alusão ao Holocausto.

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Vista aérea do museu – Fonte da imagem: http://www.jmberlin.de/main/EN/00-Visitor-Information/00-visitorinformation.php

Após passar pelo Raio-X e bilheteria, descemos até o subsolo do novo edifício e começamos a visita pelo museu. Lá encontramos três caminhos a serem seguidos – três eixos que se cruzam e que representam realidades da história dos judeus na Alemanha:

O Eixo do Exílio leva ao exterior do edifício onde está o E.T.A. Hoffmann-Garten, um jardim composto de 49 blocos inclinados de concreto, preenchidos com terra e com salgueiros plantados no topo (simbolizam esperança). O bloco central possui terra vinda de Jerusalém e os demais possuem terra de Berlim:

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Toda a área do jardim está inclinada a 12 graus para causar sensação de instabilidade e desorientação no visitante, uma alusão ao sentimento dos judeus quando foram expulsos da Alemanha. O acesso ao jardim é feito por um caminho com piso irregular e íngreme e que vai se tornando estreito até chegar a uma grande porta de aço e na entrada há um aviso informando que algumas pessoas podem se sentir mal lá dentro e ter vertigens, em função da inclinação do terreno. Eu me senti mal lá dentro à medida que caminhava, pois os blocos de concreto são muito altos e bem próximos uns dos outros. Senti uma leve ânsia e logo saí do jardim.

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O Eixo do Holocausto é um caminho até o Holocaust-Void (vazio do holocausto): uma sala de concreto que possui a mesma altura do museu (22 metros) com uma pequena abertura no topo por onde entra um feixe de luz. Este lugar representa o grande vazio, a lembrança e a morte. Não tirei foto deste espaço, mas pela descrição acima já dá para ter uma noção da sensação de angústia e tristeza que senti lá dentro.

O último eixo – e o maior de todos – é o Eixo da Continuidade que se inicia no subsolo e segue através de uma escadaria até o primeiro e segundo pavimento, onde há a exposição permanente do museu. Este eixo representa a continuidade da história do povo judeu que sobreviveu ao Holocausto e ao Exílio.

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O acervo do Museu Judaico de Berlim é vasto, rico, interativo e oferece aos visitantes mais do que histórias do Holocausto: ele nos entrega dois milênios da história judaico-alemã passando pelo universo infantil judaico, a culinária Kosher, os casamentos entre judeus, arte, cultura, tradições etc. A melhor descrição que encontrei sobre o museu é da diretora de programação do local, Cilly Kugelmann: “A casa é uma metáfora da difícil e complicada história dos alemães e dos judeus, dos judeus alemães e dos judeus na Alemanha”.

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Passamos mais de 3h dentro do museu e só saímos de lá porque já estava no horário de encerramento. Conseguimos ver toda a exposição permanente, mas se pudesse teria passado mais uma hora lá dentro. Tudo lá dentro é interativo e fascinante, além de ser um museu onde o projeto arquitetônico guia o visitante com enorme maestria. Foi um dos museus que mais gostei até hoje e saí de lá ainda mais admirada pela cultura judaica!

Saímos do museu e fomos de metrô até o restaurante Cocolo Ramen cuja especialidade é o Ramem ou Lámen, prato japonês de origem chinesa composto por macarrão, algas, cebolinha, carne de porco, verduras, legumes e o tempero do caldo pode ser à base de shoyu, sal ou missô. O Du pediu a versão com carne de porco (shoyu tyashu) e eu pedi a versão vegetariana – o milho, que amo, sempre me chama a atenção! – que estava muito boa, mas não estava melhor do que o Lamen Kazu aqui de São Paulo. Pedimos uma porção de gyoza que estava deliciosa. Para beber fui de limonada caseira adoçada com mel, muito saborosa, e o Du foi de cerveja.

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O restaurante é pequeno e está sempre lotado. Chegamos pouco tempo depois da abertura e conseguimos uma mesa após poucos minutos de espera. Ficamos na área externa e dividimos uma mesa comunitária com 10 pessoas. Pelo que percebemos, a maioria das pessoas que frequenta o local é morador da cidade. Estava uma noite agradável e o clima mais alternativo do restaurante colaborou ainda mais para que aproveitássemos o fim do dia cansativo, porém enriquecedor e que rendeu muito!

 

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