CHICAGO: TERCEIRO DIA

Nosso terceiro dia em Chicago começou cedo, pois às 8h fomos na Alamo buscar o carro que alugamos pela internet. Pouco antes das 9h partimos rumo à I-88 W e por volta das 10h chegamos na cidade de Plano. O motivo da viagem foi conhecer a Farnsworth House (conhecida como Casa de Vidro), que foi projetada pelo arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe.

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Quando decidimos ir para Chicago, fui logo pesquisar quais obras de arquitetura seriam possíveis visitar e fiquei muito feliz quando descobri que a Farnsworth House está muito próxima a Chicago (meu sonho maior é conhecer a casa Fallingwater, projetada por Frank Lloyd Wright – um dos meus arquitetos favoritos). Quando montei o roteiro da viagem encaixei a visita a casa de vidro no mesmo dia da ida ao Chicago Premium Outlets, afinal o Du não queria fazer a visita e teria que incluir algum programa para ele se beneficiar também! Após definir o dia da visita entrei no site e comprei o ingresso. Paguei uma taxa extra para poder fotografar o interior da casa e valeu muito a pena. As visitas são guiadas e acontecem diariamente das 9:00h às 16:00h, em grupos de aproximadamente 10 pessoas.

Atualmente a Farnsworth House é um museu que pertence à National Trust for Historic Preservation (NTHP), uma organização privada e sem fins lucrativos e que também é responsável pela manutenção da casa de vidro. Além das visitas guiadas, é possível realizar casamentos, coquetéis e outras comemorações na casa de vidro. Já pensou que máximo casar neste cenário?!

Encontrei o grupo para a visita no interior do Centro de Visitantes, onde a guia nos explicou como seria a visita e falou um pouco sobre a casa. Lá dentro há vários livros sobre a Farnsworth House, cartões postais e pôsteres à venda. Há também banheiros para os visitantes e estacionamento gratuito, onde o Du ficou me esperando.

Centro de visitantes

O grupo foi dividido e seguimos em 02 carros para a casa, que fica a pouco metros do centro de visitantes. Seguimos a pé em um trecho de menos de 10m com o guia em direção à casa e em seguida avistamos a Farnsworth House, que foi construída em um lote contíguo ao Rio Fox.

Caminho Farnsworth House

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Mies van der Rohe projetou a casa no ano de 1946 para a Dra. Edith Farnsworth (médica nefrologista de Chicago), que queria uma residência para passar os fins de semana onde pudesse praticar seus hobbies e estar mais próxima da natureza. A cliente desejava construir uma casa que fosse um exemplo da arquitetura moderna e pediu ao arquiteto que projetasse a residência como se ele fosse o proprietário.

A construção da Farnsworth House começou em 1950 e estava quase finalizada em 1951. Mies van der Rohe era o arquiteto e o empreiteiro responsável pela obra, por isso não queria liberar a casa sem que estivesse 100% concluída. A esta altura o custo da construção ultrapassou o orçamento inicial e a Dra. Farnsworth se recusava a pagar esta quantia. Desta forma, o arquiteto processou a cliente para que pagasse a quantia devida de US$28,173 e em seguida Edith Farnsworth processou o arquiteto alegando que este fora negligente (a água da cobertura escorria para o interior da casa, problemas no sistema de calefação da casa etc). O advogado de Mies van der Rohe conseguiu provar que a Dra. Farnsworth aprovou a planta da residência, bem como os eventuais aumentos no orçamento inicial. No fim, a proprietária da casa teve que pagar a quantia devida ao arquiteto e as acusações de negligência que ela fez ao arquiteto foram consideradas sem fundamentos e descartadas.  A vitória de Mies van der Rohe colocou fim ao relacionamento dele com a cliente e a finalização da residência foi feita por outro arquiteto.

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No ano de 1968 o departamento de estradas condenou uma parte do terreno (8.100 m2) da residência para construir uma ponte/rodovia sobre o rio Fox. Dra. Edith Farnsworth entrou com um processo contra o projeto da rodovia, porém perdeu a causa. A proprietária decidiu vender a casa no ano de 1972 e então mudou-se para a Itália. Peter Palumbo comprou a Farnsworth House logo em seguida e fez várias melhorias na casa, da qual foi proprietário durante 31 anos. Em dezembro de 2003 a Farnsworth House foi vendida por US$7,5 milhões à organização National Trust for Historic Preservation (NTHP).

Ponte Rio Fox

Farnsworth House é um dos ícones da arquitetura e foi projetada de acordo com o Estilo Internacional (International Style). Possui estrutura metálica com pintura na cor branca, piso em mármore travertino, laje plana em concreto e esquadrias de vidro do piso ao teto (as cortinas garantem a privacidade da moradora). Os cômodos são todos integrados e somente o banheiro está isolado através de paredes e porta. No interior da casa não há lustres: somente a iluminação indireta a partir do uso de abajures, luminárias de piso e iluminação indireta para não interferir na estética minimalista da casa. Aqui vale a regra: menos é mais.

Nas fotos abaixo é possível ver a configuração da casa e a localização dos cômodos:

Farnsworth House_Frontal

Vista frontal da casa

Farnsworth House_posterior

Vista posterior da casa

Legenda:

01) Patamar e escadas de acesso:

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A casa está elevada a 1,60m do solo para evitar que seja atingida por enchentes do Rio Fox. Porém nos anos de 1956, 1996, 1998 e 2008 a Farnsworth House foi inundada e sofreu alguns danos.

02)  Varanda:

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Deixamos os sapatos na varanda e colocamos um sapato de tnt (tipo aqueles que usamos no Raio-X do aeroporto) antes de entrar na casa.

03) Sala de jantar:

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04) Escritório:

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05) Estar / Lareira:
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06) Quarto:

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Na foto abaixo dá para ver a maçaneta da porta do banheiro:

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07) Cozinha:

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Esqueci de tirar foto do banheiro, que está localizado entre a cozinha e a sala de estar, com a porta de acesso no quarto.

A casa tem uma vista espetacular a partir qualquer ponto e o propósito de servir como um refúgio para a Dra. Farnsworth foi alcançado da melhor forma possível. Nas fotos abaixo estão a fachada posterior da casa e a vista do quarto:

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Captura de Tela 2014-07-08 às 16.17.47

posterior

A visita valeu muito a pena e recomendo também para quem não é arquiteto. É impressionante como uma casa construída há mais de 60 anos parece ter sido erguida ainda nesta década!

Após a visita seguimos pela estrada de volta à Chicago, mas no meio do caminho paramos na cidade de Aurora no Chicago Premium Outlets. Nosso tempo lá foi corrido, mas conseguimos ótimos descontos e conseguimos aproveitar bem as poucas horas de compras. Há várias lojas interessantes, o outlet não é enorme (ao contrário do Sawgrass Mills de Miami, por exemplo) e não estava cheio. A parte ruim é  que o sales tax em Illinois é um dos mais altos dos E.U.A. (a taxa é de 9,25%).

Chegamos em Chicago por volta das 19:30h e o Du foi devolver o carro. Fazia muito frio, estávamos famintos e muito cansados! Acabamos comendo um lanche no Mc Donald’s na esquina do hotel (impressionante como a esta hora já estava quase tudo fechado) e voltamos pro hotel e capotamos!

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