MONTEVIDÉU: TERCEIRO DIA

Nosso quarto dia em terras uruguaias (terceiro em Montevidéu) foi uma segunda-feira e ela começou bem preguiçosa! Devolvemos o carro, o Du foi pra academia do hotel e eu fiquei dormindo a manhã inteira! Por volta das 11:30h pegamos um táxi e fomos para o centro da cidade. O destino foi o Museu Andes 1972 sobre o qual vimos uma reportagem em um jornal local na noite anterior. Nossa programação estava bem tranquila para os dois últimos dias e resolvemos visitar o novíssimo museu, inaugurado em outubro.

fotoO museu foi idealizado e criado pelo empresário Jörg P. A. Thomsen em homenagem aos 29 passageiros mortos no trágico acidente aéreo, conhecido como Tragédia dos Andes, ocorrido em 13 de outubro de 1972. Fomos recebidos pelo próprio Jörg (um senhor muito simpático e entusiasmado com o novo museu) que nos guiou pelo museu e nos contou todos os detalhes desta tragédia. Lá dentro há reproduções das cartas escritas pelos passageiros durante o tempo em que ficaram perdidos na montanhas, há alguns objetos improvisados e roupas utilizadas pelos passageiros.

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Um avião da força aérea uruguaia transportava 45 passageiros (entre eles integrantes do time de rugby uruguaio Old Christian’s Rugby e seus amigos e familiares) em um vôo fretado para disputar um jogo de confraternização no Chile. O avião partiu de Montevidéu no dia anterior e devido às péssimas condições meteorológicas fez uma escala em Mendoza (Argentina) onde tripulação e passageiros passaram a noite.

No dia seguinte o avião decolou rumo a Santiago e no momento em que atravessava a Cordilheira dos Andes a visibilidade era praticamente nula e houve um erro de localização por parte do piloto e copiloto. Quando pensaram que já estavam em Curicó (Chile), tiveram autorização para iniciar a descida. Porém o avião ainda estava na região das montanhas e em questão de segundos a asa direita do avião atingiu um pico a 4.200m de altitude e destacou-se  do restante, atingindo a parte traseira do avião. O impacto foi tão forte que a cauda do avião também foi arrancada. Em seguida a asa esquerda atingiu outro pico e também foi separada da fuselagem que deslizou em uma velocidade de 200km/h por 4km até se chocar com um banco de neve.

Na foto abaixo (em primeiro plano) está o que sobrou da cauda do avião:

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Somente no impacto morreram 12 pessoas, incluindo o piloto. Na noite do acidente morreram outros 05 passageiros, entre eles o copiloto e no oitavo dia morreu outra passageira. Foram enviados grupos de buscas do Uruguai, Argentina e Chile a procura de sobreviventes, porém nada encontraram. No décimo dia do acidente o grupo, que a esta altura era composto por 27 sobreviventes, descobriu por um rádio de pilha que encontraram em uma das bagagens que as buscas haviam sido suspensas. Certa noite, uma avalanche soterrou oito passageiros que morreram sufocados. Nas semanas seguintes outros 03 passageiros morreram, restando somente 16 sobreviventes no grupo.

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Os sobreviventes estavam a 3.600m de altitude, em um local onde a temperatura quase sempre é negativa, a pressão atmosférica é muito baixa, onde não vivem animais e não cresce nenhum tipo de vegetação. Somado a isso, não havia comida e água suficiente e nem fonte de calor. Os sobreviventes tiveram que improvisar: para matar a sede derretiam a neve sobre os metais das poltronas e coletavam a água em garrafas (demoravam horas para colher uma quantidade mínima de água); improvisaram óculos de proteção contra os raios solares refletidos na neve a partir do pára-sol da cabine do avião; utilizaram o tecido das poltronas como isolante térmico e quando a comida acabou (poucos dias após a queda) os sobreviventes não tiveram outra alternativa a não ser comer a carne dos passageiros mortos. No museu estão expostos os óculos improvisados, o método de armazenagem da água, pertences e roupas de alguns passageiros, a máquina fotográfica que registrou os sobreviventes nos primeiros dias:IMG_4251 IMG_4252

Nesta história o personagem que mais chama a atenção é o jovem Fernando Parrado de apenas 22 anos. Nando, como é conhecido, era o único sobrevivente que insistia na ideia de buscar ajuda e conseguia manter a tranquilidade (na medida do possível) entre o grupo. Somente no final de novembro ele conseguiu convencer outros dois sobreviventes a escalarem as montanhas para buscar ajuda. Após 03 dias de escalada em uma única montanha, o trio chegou ao cume mas tudo o que viam eram mais montanhas. Um integrante voltou para o local do acidente e deixou a comida para Nando e Roberto Canessa. Após sete dias de caminhada, a dupla finalmente encontrou um camponês que ofereceu ajuda. Neste mesmo dia outros 06 sobreviventes foram resgatados. No dia seguinte, 72 dias após o acidente, os outros 08 passageiros foram resgatados e assim terminou um dos maiores dramas uruguaios.

No total foram 16 sobreviventes e entre eles estava o jovem Carlos Miguel que é filho do artista Carlos Vilaró (lembram do proprietário do Hotel casa Pueblo?).

Gostamos muito do museu, é impossível não se comover lá dentro imaginando se o mesmo acontecesse com a gente. O museu ainda está em fase de atualização e futuramente receberá mais material. Foi um passeio bem diferente e interessante, onde tivemos a chance de conhecer de perto detalhes deste terrível acidente que marcou a vida dos uruguaios. Achei somente o preço do ingresso um pouco salgado: 200 pesos uruguaios, cerca de R$24,00.

Saímos do museu e pegamos um táxi para o Mercado Agrícola de MontevidéuO MAM foi inaugurado no ano de  1913 e os 5.876m2 de sua estrutura de ferro vieram de Bruxelas. Durante os últimos anos mercado estava abandonado e depredado. E para evitar que um dos principais edifícios históricos da cidade caísse no esquecimento, foi criado um projeto para restaurá-lo e também para revitalizar toda a região.

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Diferentemente do Mercado do Porto, o MAM tem menos opções de restaurantes mas é mais organizado e possui lojas de produtos uruguaios, doces, café, sorvetes, cerveja e frutas e legumes.

Nossa primeira parada foi na Cervejaria Mastra. Você pode escolher garrafa, chopp (há dois tamanhos) ou uma degustação de 04 sabores. A cerveja é muito saborosa e vem acompanhada de uma porção de amendoins.

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Em frente a Cervejaria Malba está o restaurante Pellicer, que foi nossa opção para o almoço.

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Antes mesmo de fazermos o pedido o garçon nos ofereceu de cortesia uma taça de medio y medio, mistura de vinho branco seco e espumante. Eu achei uma delícia e servido bem gelado amenizou o calor!

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Pedimos nachos de entrada (à direita na foto abaixo) e estavam magníficos, os melhores que já comi! E de prato principal fomos de carne e batata frita (muito bom tbm!) só para variar um pouco! rs

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A sobremesa foi o sorvete da loja em frente ao Peliccer. Depois fomos dar uma volta pelo mercado e comprar doce de leite.

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Saímos do mercado e fomos a pé em direção ao Palácio Legislativo, a poucos metros de lá. O edifício é lindo e há visitas guiadas, porém o horário era bem mais cedo. A ideia foi ver somente o entorno do palácio, pois estávamos bem cansados.

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De lá pegamos um táxi em direção ao hotel. O Du ficou por lá e eu fui para a Rambla ver o por do sol e fiquei de queixo caído com o que vi:

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Para fechar o dia com chave de ouro!

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2 comentários
  1. Flavia disse:

    Muito legal ter agora o museu. Deve ser mesmo muito interessante. Ouvia esta história sempre do meu pai quando era criança (ok, não é história para criança, mas meu pai é louco, rsrsr), mas só depois me deixaram ver o filme, rs. Recentemente vi um documentário com alguns dos sobreviventes. É um fato para não ser esquecido, principalmente para não se perder a esperança, já que ninguém poderia acreditar que poderiam sobreviver tanto tempo naquelas condições. Emocionante.
    A comilança sempre ótima né, rsrsrs. E que lindo por do sol para fechar.

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    • Pois é, esta história é muito surpreendente e emocionante! Superação o tempo todo.
      Ainda bem que seu pai só contou a história e não deixou ver o filme, né?! Você pode poupar a Bella por enquanto, tem muita história de princesa interessante!
      Comer e viajar combinam muito né, tem que ser! Apesar de que eu e o Du estamos bem comportados ultimamente, até corremos na viagem…
      O pôr do sol uruguaio é maravilhoso, um dos mais lindos que já vi!
      Logo voltarei com os posts da viagem aos EUA, fique ligada!
      Beijosss

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