ISTAMBUL: PRIMEIRO DIA

E depois de ter deixado as malas com a moça que administra os quartos do apart hotel, fomos dar uma volta para conhecer melhor Istambul e tirar a impressão ruim que tivemos desde a noite anterior.

Ficamos hospedados no bairro de Sultanahmet, localizado na porção ocidental da cidade. É lá onde estão os grandes monumentos de Istambul e é também a parte mais antiga e histórica da cidade. Por isso, a localização é a principal vantagem de ficar hospedado neste bairro. A desvantagem é que à noite a região praticamente morre, pois os lugares mais badalados da cidade estão na região de Taksim (região de Beyoğlu). Quando voltar a Istambul certamente ficaremos em um lugar mais animado (não que eu seja a rainha da noite (rs), mas ter opções de restaurantes e vida noturna por perto é sempre bom!).

Saímos do hotel e poucos metros depois chegamos na praça Sultanahmet, onde fica o Hipódromo,  a Mesquita Azul e a alguns metros a frente a Hagia Sophia. Logo que chegamos na praça vimos a bandeira da Turquia e a imagem do Atatürk na fachada do Museu de artes Turcas e Islâmicas. Antes da viagem, a Jenisse (sogra da minha irmã do meio) havia acabado de voltar da Turquia e comentou comigo que por todo canto de Istambul é comum ver uma foto ou estátua do Atatürk. E esta foi uma das várias que vimos por lá:

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Os turcos têm profunda admiração por Mustafa Kemal Atatürk, primeiro presidente da Turquia após a proclamação da república, que substituiu o antigo governo imperial otomano.

A bandeira da Turquia também está por todo lado (igual nos EUA) e um turco que conhecemos na cidade de Izmir nos explicou seu significado, que, aliás, é bastante controverso e com várias versões. Mas de acordo com o jovem e com a wikipedia: “A lenda mais aceita pela população turca, no entanto, é a que conta que Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República turca, caminhava pelo campo na noite seguinte ao combate vitorioso durante a Guerra de Independência Turca, e percebeu o reflexo da lua crescente e da estrela sobre um vasto fundo de sangue no terreno de uma colina de Sakarya, surgindo assim, o significado da atual bandeira da Turquia.” A lua e a estrela são o reflexo do céu na poça de sangue que se formou no chão. Achei muito interessante esta história!

E voltando a praça, é lá que foi construído, no século III, o Hipódromo que foi elaborado pelo imperador Sétimo Severo e ampliado por Constantino I. Poucos elementos restaram do hipódromo, entre eles o Obelisco egípcio e a Tripode de Plateias (conhecida atualmente como Coluna da Serpentina), que eram umas das obras de arte vindas de diversas partes do mundo para adornar o Hipódromo. O obelisco, erguido originalmente no templo de Karnak em Luxor por volta de 1490 A.C., foi trazido do Egito no ano de 390. Feito de granito rosa, foi dividido em 03 partes para chegar até Istambul e atualmente somente a parte superior sobrevive. Já a Coluna da Serpentina, do ano de 479 A.C., foi trazida da cidade grega de Delfos e atualmente só restou sua base.

Na foto abaixo dá para ver em primeiro plano o que restou da Coluna da Serpentina e ao fundo o Obelisco:

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E ao olhar para o lado direito nos deparamos com a belíssima Mesquita Azul:

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Este dia era um domingo de Páscoa e a cidade estava L-O-T-A-D-A! Era uma multidão, que mais parecia a peregrinação a Meca rs! Exageros meus à parte, preferimos somente ver o que tinha por ali e depois voltar com mais calma. E este dia estava muuuito frio, com um vento absurdamente gelado.

Continuamos a caminhada e eis que avistamos a Hagia Sophia (popularmente conhecida como Santa Sofia). Ah, como é linda! Lembro-me até hoje quando estudei o projeto desta basílica no primeiro semestre do curso de arquitetura. Era aula de história da arte e o professor francês nos mostrou cada detalhe desta joia da arquitetura bizantina. Essa sempre foi minha referência de Istambul e poder vê-la de perto foi demais!

Também deixamos para conhecê-la em outro dia, afinal havia uma multidão por lá também:

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Seguimos andando, meio sem rumo, e chegamos até o Palácio Topkapi. Há uma parte do palácio que é aberta ao público sem cobrança de entrada. Fomos dar uma olhada e é tudo muito lindo:

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Toda aquela multidão + frio de rachar + cansaço começaram a me desanimar e só pensava na cama quentinha que me esperava no hotel. Mas como nosso quarto só estaria liberado após algumas horas, não tivemos outra opção a não ser continuar a bater perna pela cidade! E foi aí que chegamos até o Parque Gülhane que é o parque mais antigo da cidade e onde foi erguida a primeira estátua do Atatürk na Turquia.

Na foto abaixo uma placa em turco logo na entrada do parque. Não dá para ter a mínima ideia do que está escrito:

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O parque estava repleto de tulipas coloridas que criaram um contraste bonito com as árvores secas e ainda sem folhas:

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Sentamos para tomar o türk çayi (chá turco) para esquentar um pouco o corpo. Minha intenção era experimentar esse tradicional chá, mas não gostei! Na verdade eu não sou fã de chás (de qualquer tipo) e esse tinha um gosto semelhante ao chá mate, porém mais forte. Gosto de experimentar novos sabores, principalmente quando são de outros países e/ou costumes diferentes dos nossos aqui no Brasil. Embora não tenha curtido o tal chá turco, esta não deixou de ser uma experiência interessante!

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A essa altura o vento gelado estava de matar e aí voltamos para o hotel. Chegamos lá e nosso quarto já estava vago e limpo. Ainda bem que nossas malas já estavam lá dentro, pois o hotel não tinha elevador e já estava sofrendo por antecipação só de pensar em subir até o quinto andar carregando minha mala! Tomamos banho e vestimos roupas bem quentes para enfrentar o frio lá de fora.

E fomos caminhando novamente em direção a praça Sultanahmet. A essa altura estávamos famintos e a procura de um lugar para almoçar. Resolvemos entrar no restaurante de um hotel que havia em frente a praça, onde mais cedo conhecemos dois turcos que trabalhavam lá. Eles se empolgaram quando dissemos que éramos do Brasil e, claro, começaram a falar de futebol! Nos dias seguintes sempre que passávamos em frente ao hotel eles estavam lá e começavam a falar o nome do jogador brasileiro Alex de Souza, que na época jogava no time turco Fenerbahçe.

Subimos para o salão do restaurante que fica na cobertura do prédio e a vista não poderia ser melhor, de frente para a Mesquita Azul:

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Só havia nós dois de cliente no restaurante e no início pensamos que seria uma furada. Mas tivemos uma boa surpresa, pois a comida estava ótima! De lá seguimos para visitar a Mesquita Azul, a única que possui 06 minaretes (torre da mesquita de onde é anunciado o chamado às 05 orações diárias). Foi construída entre os anos de 1609 e 1616 por encomenda do sultão Ahmet I, cuja intenção era superar a Hagia Sophia em tamanho, beleza e imponência.

E na foto abaixo dá para ver o lado de fora da Mesquita, que ao contrário do que muita gente pensa (devido ao nome), não é azul! Pois é, na verdade seu interior é revestido por azulejos de Iznik (em vários tons de azul) que justificam o nome.

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A Mesquita é usada pelos muçulmanos 05 vezes ao dia para as orações e todos os visitantes têm que esperar do lado de fora até o momento em que os cultos se encerram. Todos os visitantes têm que tirar os sapatos (são distribuídos sacos plásticos para que cada pessoa coloque seu sapato e fique responsável por ele) e mulheres não podem usar decotes e não podem estar com o colo e pernas descobertas.

O belo (e super macio!) tapete vermelho cobre todo o chão da mesquita:

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Mas foi no interior da mesquita que fiquei de queixo caído! Lá dentro tudo impressiona: a beleza dos azulejos, as enormes cúpulas, as colunas, os vitrais… Vejam o tamanho de uma das colunas que sustentam as cúpulas:

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Lá dentro há mais de 250 janelas e 36 cúpulas e em torno de 20.000 azulejos que revestem seu interior!

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É uma sensação indescritível estar lá dentro e totalmente diferente de qualquer igreja/templo que já  visitei. A luz natural entra por todos os lados e todas as cores se destacam de forma bem suave:

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Ah, e lá dentro há um espaço reservado para as mulheres muçulmanas poderem fazer as orações. E este espaço fica lá no fundo, separado e atrás do local onde os homens ficam.

Do lado de fora da mesquita há várias torneiras para que os muçulmanos (as) possam fazer o ritual das abluções, que consiste em lavar as mãos, os pulsos, as narinas, antebraços, cabeça, nuca, rosto, orelhas e pés antes das orações. Este ritual deve ser feito com água ou areia:

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Saímos da mesquita e fomos andando sem rumo. Já estava escurecendo e havia várias lojinhas de artesanato, e claro entrei em todas para conferir de perto as luminárias turcas, os lenços, as cerâmicas… cada coisa mais linda do que a outra!

Depois de andar um pouco, resolvemos ir jantar no Cafe Rumist que fica na rua de trás da Mesquita Azul. Peguei a dica deste restaurante em vários blogs e fiquei curiosa para conhecer o lugar que foi vencedor do Travellers’ Choice™ 2012 do Trip Advisor.

Pedimos uma pizza vegetariana e uma pide (que é tipo uma esfiha aberta). A massa de lá é deliciosa, muito crocante e fina. Muito melhor do que a melhor pizza de São Paulo! Ficamos apaixonados! Uma pena que lá não vende bebida alcóolica, afinal uma cerveja ou vinho ia cair muito bem! O Du foi de suco de laranja e eu pedi um suco de damasco que estava ótimo.

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E de sobremesa um chá de maçã (não sou muito fã de chá, mas para esquentar foi ótimo) e a baklava que é um doce típico (folheado com pistache e mel) que estava ótimo.

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O Café Rumist estava cheio, mas conseguimos uma mesa assim que chegamos. Os funcionários são super prestativos, o ambiente é aconchegante e os preços são ótimos. E gostamos tanto que voltamos no dia seguinte!

Na volta para o hotel passamos em frente a Hagia Sophia que tem uma iluminação muito bonita a noite:

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E a poucos metros a Mesquita Azul que também é linda a noite. O curioso é que há várias gaivotas sobrevoando a mesquita, parece até um balé de pássaros! Ficamos por lá alguns minutos contemplando o belo espetáculo:

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E no final do dia, que rendeu bastante coisa boa, estava imensamente feliz por estar em Istambul! A cada passo a cidade se revelou acolhedora, histórica, bela e simplesmente encantadora. A única cidade do mundo que está em dois continentes e tem uma importância enorme na nossa história. Ainda bem que a má impressão passou rapidinho!

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