ISTAMBUL: A CHEGADA

Depois de passar 03 dias em Amsterdam, fomos para Istambul no sábado dia 23. O vôo foi tranquilo (via KLM) e após três horas e meia estávamos no aeroporto internacional Ataturk, localizado no lado europeu da cidade. Passamos tranquilamente pela imigração, trocamos dinheiro na casa de câmbio do aeroporto e ao sair do portão de desembarque nos encontramos com o motorista da van que nos levaria até o apart hotel que fizemos reserva. Ficamos aliviados por ter alguém para nos levar até o hotel, pois chegar em um país que não se fala a língua em plena madrugada e ainda ter que pegar táxi pode ser uma enrascada. Encontramos outros dois casais que iriam na van conosco e fomos embora.

Pensamos que todos ficaríamos hospedados no mesmo local, mas no meio do caminho cada casal foi deixado em um hotel. E aí só sobrou eu e o Du na van e ficamos um pouco apreensivos, afinal o motorista só falava turco e não tínhamos a menor ideia de onde estávamos e para onde iríamos! Após alguns minutos o motorista estacionou em uma ladeira, sem uma alma viva por sinal, e nos disse que era ali que desceríamos. Mas… quando ele foi deixar nossas malas na porta do prédio, viu que tinha um bilhete que dizia para ligar para o telefone que estava anotado. E aí começou o enrosco! O motorista dizia algo em turco que não conseguíamos entender e começou a fazer mímicas. De repente chegou um funcionário do hotel ao lado (um garoto de uns 17 anos de idade) que arranhava um inglês e nos disse que não havia vaga para nós naquele dia e que teríamos que dormir em outro lugar. O motorista se despediu e foi embora. Ficamos indignados, mas todas as tentativas de tentar entender o ocorrido foram em vão e preferimos não brigar para não ter onde dormir. A chance de achar um táxi e um hotel disponível àquela altura estava fora de cogitação! Bom, pelo menos pensamos que dormiríamos naquele hotel e no dia seguinte tudo se resolveria. Havia um casal canadense esperando por um quarto e com o mesmo problema que o nosso.

E aí o jovenzinho nos disse para pegar as malas e seguí-lo. Fomos os quatro, sem a menor noção para onde e começamos a rir de nervoso! Descemos ladeira abaixo e lá no final demos de cara com um predinho de 3 andares e uma porta de enrolar, que foi aberta por um senhor (o dono da casa) que tinha uma barba branca até a cintura (sério, não é exagero!) e vestia um caftã. E, para piorar, ele se parecia com o Osama Bin Laden (que naquela época ainda era vivo!), só que mais velho!

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Crédito da imagem: Paulo César

Fonte: http://olhares.uol.com.br/homem-turco-foto277239.html

E ele estava super animado e nos recebeu muito bem. Detalhe: já passava de uma hora da manhã! Não entendemos absolutamente nada e entramos na casa. Subimos vários degraus (estreitos e altos) com as malas na mão e quando chegamos no último andar o senhor abriu a porta onde havia uma sala e dois quartos e nos disse que dormiríamos ali, cada casal em um quarto. Disse que poderíamos usar o computador (pentium 486, quem lembra?!!), nos deu a chave da porta e foi embora!

O casal canadense nos deu boa noite e foi deitar. Entramos no nosso quarto e eu estava sem saber se chorava, pulava da janela ou dormia! Na hora fui pro computador tentar achar um hotel ou qualquer outra dica que nos fizesse sumir dali. Mas foi tudo em vão, pois a internet era discada e sem a menor ideia de qual era a senha! Não restou outra alternativa a não ser ir dormir. E para completar estava muito frio neste dia, em torno de 8 graus! No quarto havia 02 camas de solteiro, mas acabei dormindo com o Du em uma e morrendo de medo! rs Custei a pegar no sono, imaginando que alguma coisa ruim iria acontecer. Na verdade o medo foi por não saber onde estávamos e por sentir totalmente vulnerável na casa de um estranho. A certa altura da madrugada caímos no sono…

E eis que às 5h da manhã começou a tocar um canto muito alta em árabe, vinda da rua. Dei um pulo da cama e fui olhar pela janela e o que vi foram vários corvos e uma cidade nublada! Ai meu Deus, foi uma sensação horrível! Eu disse pro Du: “Acabou! Agora vai entrar um homem bomba e nos matar!!!”. Só depois nós percebemos que aquela música vem dos minaretes das mesquitas e é o chamado para que os muçulmanos façam suas orações. Ela é tocada cinco vezes ao dia e no dia seguinte já estávamos acostumados com o som. Após alguns minutos tudo voltou a ficar silencioso, dormimos mais um pouco e decidimos levantar da cama. O Du foi até o hotel para ver se podíamos ir para nosso quarto e enquanto isso fiquei sozinha no quarto esperando por ele.

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Crédito da imagem: Mustafa Quraishi/AP

Fonte da imagem: http://noticias.uol.com.br/album/120102olho_album.htm#fotoNav=2 

Em um determinado momento saí do quarto e desci as escadas. Dei de cara com o senhor (dono da casa) que estava super feliz e receptivo! Ele começou a conversar comigo (disse umas poucas palavras em inglês, mas se virou bem), discou um número pelo telefone e me deu. Nem tinha ideia de quem era! Mas logo percebi que era o recepcionista do hotel (na verdade o apart hotel que reservamos era administrado pelo hotel vizinho). Perguntei o que aconteceu, querendo uma explicação para o ocorrido com nosso quarto e ele disse que como chegamos mais tarde um outro casal precisava de quarto e se hospedou no nosso, mas que logo poderíamos ir pra lá. Simples assim! E isso porque eu enviei um e-mail para o hotel avisando que nosso vôo chegaria mais tarde! Nem adiantou querer tirar satisfações, afinal o problema maior já tinha sido resolvido. O senhor percebeu que eu estava receosa e me disse para relaxar e me alegrar, afinal estava em Istambul! Engraçado como o preconceito faz com que tenhamos um medo absurdo do desconhecido.

Depois de uns 20 minutos o Du voltou e disse que havia um casal de espanhóis no nosso quarto e que sairiam por volta das 14h. Estava cedo, nem eram nove horas, e arrumamos nossas malas e deixamos com a moça que cuidava dos quartos. Ela falava somente umas poucas palavras em inglês e após um pouco de mímica combinamos que votaríamos às 15h. Deixamos nossas malas por lá com muita desconfiança, admito! Afinal, não conhecia a mulher e havia objetos de valores nas malas. Mas, por outro lado, não havia o que fazer!

A primeira impressão que tive da cidade foi bem ruim e para piorar o dia estava nublado e muito frio. Eu detesto dias nublados (apesar de adorar frio) e em dias assim a tendência é que eu comece a achar tudo ruim!

Mas esta impressão ruim foi mudando após o reconhecimento de campo que fizemos. E para que este texto não fique maior do que já está, contarei o que fizemos neste dia em outro post!

Viagem Amsterdm e Turquia_2011 1014

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5 comentários
  1. Nossa to passada!! Que medo vocês devem ter passado!! Não sei o que eu faria… Que bom que deu tudo certo!! rs… (riso de nervoso mesmo!) Bjs

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    • Pois é, viagem tem esses perrengues mesmo! Mas hj quando conto essa história dou risada, porque de fato foi engraçado! Os turcos são muito receptivos e ainda bem que deu certo mesmo!
      Beijos!!

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  2. Flavia disse:

    Ai, que susto! É o tipo de coisa que só fica interessante quando se conta depois, na hora… ai que desespero. Mas tinha que deixar o resto para depois? Só para eu ficar curiosa aqui esperando né? rs
    Estou doida para saber mais como foi esta viagem, afinal, te interessou muito e já faz muito tempo.

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    • Hahaha! Pois é, essa vai pro caderninho dos causos de viagens! Afinal isso é o que trazemos na bagagem de volta!
      Preferi dividir o post para não ficar gigante. Mas em breve contarei mais! E faz tem po né? Quase 02 anos já! Mas prometo que contarei sobre toda a viagem antes dela fazer aniversário (final de abril)!
      Beijos!!

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