BARCELONA: TERCEIRO DIA

Nossa primeira parada no terceiro dia em Barcelona foi no Park Güell que também foi projetado por Gaudí. Foi o único lugar que visitamos na cidade com entrada era grátis, mas a partir do outono deste ano será cobrada uma taxa de 5 euros para turistas que queiram visitar o local.

É o monumento mais visitado de Barcelona e recebe uma média de quatro milhões de pessoas por ano, sendo que 84% dos vistantes são turistas. Melhor evitar conhecê-lo aos domingos, pois é o dia em que está mais cheio de visitantes. Por isso mesmo decidimos ir na segunda-feira e na parte da manhã, horário em que o sol estava forte mas mais ameno do que no período da tarde. É essencial levar uma garrafa de água e ir com roupas e calçados confortáveis, pois o parque é grande e com várias ladeiras para subir e descer.

Fomos de metrô e tivemos que subir várias escadas para chegar na entrada do parque. O bom é que por lá também há escadas rolantes para dar uma força na subida!

Entramos pelo acesso dos fundos e foi bom porque tivemos a oportunidade de visitar todos os cantos do parque. Como o terreno é bem íngreme, se  tivéssemos entrado pelo acesso principal, certamente teríamos ficado com preguiça de subir todas as ladeiras e não teríamos visto o mirante e outras partes interessantes do parque.

Lá de cima é possível ver Barcelona de vários ângulos e apreciar a bela vista da cidade:

O empresário Eusebi Güell  tinha a intenção de construir um condomínio no local com casas luxuosas integradas à natureza, inspirado no conceito das Cidades-Jardins. Porém a comercialização do empreendimento foi um fracasso e em 1922 foi vendido ao município de Barcelona. Em 1926 o local foi inaugurado como parque público.

Na foto abaixo dá para ver a grande praça rodeada por bancos/guarda-corpo feitos de módulos pré-fabricados: E os bancos são revestidos em cacos de azulejos que eu amo:

Sob a praça está a sala hipóstila ou sala das cem colunas (na verdade há 86 colunas) que é o espaço que iria abrigar o mercado do condomínio:

O piso da praça não é pavimentado para coletar a água da chuva que desce pelas colunas até a cisterna que fica abaixo da sala hipóstila com volume de 1.200 mA água recolhida é utilizada para a irrigação do parque. Quando o volume de água na cisterna atinge o limite, a água é escoada para a fonte da escadaria.

O teto é revestido por cacos de azulejos brancos e há figuras coloridas de medusas, sóis e espirais:

Vistas da sala hipóstila e da praça:

Abaixo o dragão/salamandra por onde escoa a água em excesso na cisterna. Foi o ponto mais concorrido para conseguir tirar uma foto sem gente por perto!

Foram construídos muros, pórticos e viadutos com pedras do próprio local, de forma que estes elementos pudessem se integrar totalmente com a paisagem natural:

Abaixo está a Torre Rosa desenhada por Francesc Berenguer, local onde Gaudí morou entre 1906 e 1925. Esta casa seria uma amostra dos chalés que seriam construídos no condomínio:

Atualmente o local foi transformado em um museu dedicado a Gaudí e o acesso é cobrado (não me lembro o valor) e tinha uma fila enorme para entrar, por isso só vimos a casa por fora mesmo.

No jardim há peças vindas de outras obras do arquiteto. Abaixo está a cópia da escultura “Cosmos” da fachada da Catedral Sagrada Família.

Abaixo vista do acesso principal e os dois pavilhões da entrada que parece imagem de um conto de fadas:

Vista a partir do portão do acesso principal:

Ficaria no parque Güell o dia inteiro descobrindo cada cantinho e observando cada detalhe. É um programa imperdível em Barcelona para pessoas de qualquer idade!

Quando saímos de lá estávamos famintos e pegamos um ônibus para a Praça do Sol. Queríamos comer uma boa paella e li em vários blogs e sites na internet que a melhor opção é o restaurante Envalira, que fica no número 13 na própria praça do Sol. Dizem que o restaurante é bem simples, frequentado por locais e serve a melhor paella de Barcelona. E restaurante que não é muito frequentado por turistas já é sinônimo de coisa boa, pois do contrário paga-se caro por uma comida ruim.

Ao chegar lá uma surpresa: o restaurante estava com as portas fechadas! Na hora pensei que ainda não estava aberto ou que o endereço estava errado. Perguntamos para um garçom do restaurante ao lado e ele nos disse que o único dia que o Envalira não abre é às segundas-feiras. Pausa para conferir no calendário: sim, aquele dia era uma segunda-feira… Ah, mas que falta de sorte!

Como não havia um plano B no meu caderninho de anotações decidimos almoçar no restaurante de comida árabe ao lado. No cardápio havia várias opções que pareciam muito boas e o preço era melhor ainda.

Estávamos bebendo uma cerveja bem gelada (Estrella Damm – muito boa por sinal) e esperando os pratos chegarem quando um cliente que esperava no balcão começou a discutir com o dono do restaurante (que também é o garçom e cozinheiro!). Só sei que os dois começaram a discutir e de repente o dono do restaurante jogou um prato na direção do cliente que fugiu na hora! Não sabia se ria ou se me escondia debaixo da mesa! Na dúvida eu e o Du nos olhamos com cara de paisagem, como se nada tivesse acontecido. Machucado, o dono do restaurante nos pediu desculpa várias vezes e disse que isso sempre acontece. Ele é colombiando e a maioria dos catalães são bastante xenófobos e muitos deles vão lá no restaurante somente para provocá-lo por ser estrangeiro. Ele disse que quer ir embora de Barcelona, pois não aguenta mais tanto preconceito. Fiquei com pena dele, afinal está ali para trabalhar honestamente e ganhar a vida. Passado o susto almoçamos e a comida estava ótima. No final das contas saímos de lá dando risadas e o Du apelidou o restaurante de “Kebab da treta”!

Andamos pela região do bairro de Gràcia com suas ruas charmosas e belos edifícios:

E após uns 20 minutos de caminhada lá estava a basílica dos superlativos, a Basílica da Sagrada Família:

Para minha surpresa esperamos na fila por menos de 10 minutos para comprar os ingressos e entrar na basílica. Mas nem sempre é assim tão rápido! Na alta temporada o tempo de espera chega a ser superior a uma hora e aí vale a pena comprar os ingressos pela internet (aqui).

A Basílica da Sagrada Família começou a ser construida no ano de 1882 com projeto do arquiteto Francisco de Paula del Villar. No final de 1893 Gaudí foi contratado para conduzir as obras e acabou modificando todo o projeto da basílica. Gaudí dedicou os 40 últimos anos de vida à construção da Sagrada Família e dizem que morreu atropelado por um bonde ao se distrair olhando a construção a partir da rua.

A Basílica da Sagrada Família foi chamada também de Catedral dos Pobres, pois deveria ser construída exclusivamente a partir de doações. Tem sido assim até hoje e é uma satisfação saber que o dinheiro que paguei pelo ingresso será uma contribuição para dar andamento as obras. A basílica está em construção até hoje e a previsão para o término das obras é por volta do ano de 2026.

O projeto idealizado por Gaudí prevê 03 fachadas para a basílica: Fachada da Natividade (já finalizada), Fachada da Paixão (também finalizada) e a Fachada da Glória que é a fachada principal e será a maior de todas (obras iniciadas em 2002 e ainda não concluídas).  Ao término da construção serão 18 torres, sendo que a torre central dedicada à Jesus Cristo terá 170m de altura.

As 02 fotos acima são da Fachada da Paixão onde está localizada a entrada de visitantes. E na foto abaixo a escultura da crucifixão de Cristo, também na Fachada da Paixão:

Abaixo uma comparação de foto atual e uma simulação de como ficará a basílica após a conclusão da obras:

E lá dentro é tudo impressionante e diferente de tudo o que já vi! Fiquei sem palavras quando vi o enorme vitral e o teto da basílica:

Gaudí desenhou as colunas de forma que parecessem troncos de árvores:

Na foto abaixo a Fachada da Natividade que se parece com aqueles castelos de areia de praia que todo mundo já fez uma vez na vida quando criança:

No subsolo há um museu muito interessante com plantas, maquetes e desenhos originais feitos por Gaudí. Tem uma área (imperdível) onde estão expostas todas as referências que Gaudí buscou na natureza para compor o projeto.

Saí de lá realizada por ter conhecido esta obra prima da arquitetura. Só estando lá para sentir o seu impacto. Eu e o Du nos prometemos que quando a construção estiver finalizada voltaremos lá com nossos filhos para conhecê-la!

Depois de visitar a Sagrada Família fomos andando em direção a Torre Agbar, que é vista de vários pontos da cidade e queria muito ver de perto.

No caminho passamos em frente ao Museo Taurino, situado dentro da Plaza de Toros Monumental. Além das corridas de touros, o local já foi palco de vários shows históricos, como o dos Beatles em 1965.

Após a lei da proibição de touradas na Cataluña, a Plaza de Toros Monumental será um local destinado somente a eventos musicais e espetáculos circenses.

Durante todo o percurso foi possível avistar a Torre Agbar, que foi ficando maior à medida que nos aproximávamos dela:

De longe o edifício parece uma bala de revólver colorida!

A Torre Agbar foi projetada pelo arquiteto Jean Nouvel e pertence à Companhia das Águas de Barcelona. Possui 142m de altura e é o terceiro edifício mais alto de Barcelona.

Em frente ao edifício tem um shopping bem legal, com uma área central ao ar livre, vários restaurantes e lojas. Ficamos pouco tempo por lá, afinal depois de andar o dia inteiro estávamos exaustos e fomos pro hotel recompor as energias. À noite caminhamos nas redondezas do hotel e comemos uma pizza acompanhada de uma deliciosa sangria para fechar bem o dia!

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