MARRAKECH: SEGUNDO DIA

No segundo dia em Marrakech fomos conhecer melhor a cidade que, para ser bem sincera, não me agradou desde o dia que chegamos. Quando saímos do hotel e vi o céu azul e sol intenso, pensei: será um dia muito quente! E para piorar cometemos um erro de principiante, pois saímos do hotel por volta das 11:30h – horário em que o sol está muito forte!

No caminho passamos por alguns souks, que são os mercados da cidade: Souk Smarine (tecidos, cafetãs, atiguidades, etc.), Souk el-Kebir (couro), Souk el Arttarin (especiarias e perfumes), Souk des Babouches (chinelos), Souk des Teinturiers (onde os tintureiros penduram a lã tingida para secar), Souk Chouari (carpinteiros) e Souk el-Haddadine (ferreiros). Não há preço nas mercadorias e é preciso negociar muito. Até para quem adora pechinchar e negociar (é o meu caso!), chega uma hora que cansa ficar discutindo com o vendedor quanto vale o produto dele. Mesmo se não pedir desconto eles já oferecem, pois jogam o preço lá no alto até chegar em um valor que seja bom para comprador e vendedor.

Devido ao grande número de turistas que frequentam os mercados, é possível ouvir todo tipo de idioma lá dentro. Os marroquinos falam árabe e a maioria também fala francês, língua que é ensinada na escola quando ainda são crianças. É na hora de conquistar o turista que eles falam qualquer língua! Quando nos escutavam conversando, logo já vinham falando espanhol, italiano e até arranhavam o português.

Passamos por mercados de frutas, verduras e legumes que ficam expostos nas ruas:

As ruas da medina são bem estreitas e nelas disputam espaço os pedestres, motos e mobiletes. Nunca vi tanta moto na minha vida! As motos estão para Marrakech assim como as bicicletas estão para Amsterdam! Tem que ficar atento, pois os motoristas vêm com tudo e se bobear atropelam quem estiver no caminho.

As construções da cidade são todas em tons de ocre e rosa que ficam mais ou menos intensos de acordo com a incidência dos raios de sol.

Fiquei encantada com as portas das casas com ricos detalhes tipicamente árabes.

Levamos o mapa que a recepcionista do hotel nos deu e seguimos adiante. Como as ruas da medina parecem um labirinto, é muito fácil se perder ali. Na foto abaixo que tirei do mapa, dá para perceber como é tudo muito confuso. Estávamos hospedados no hotel Palais Sebban e iríamos para a Medersa Ben Yousef, mas para chegar até lá nos confundimos e nos perdemos na área 04 do mapa. Entramos em vários becos que pareciam ser todos iguais. Somente as ruas principais têm nome, ou seja, a uma certa altura o mapa não ajuda!

Antes de viajar, li vários blogs, sites e guias sobre Marrakech e todos foram unânimes: cuidado com os falsos guias (faux guides). Eles ficam pelas ruas oferecendo ajuda e informações aos turistas e depois pedem dinheiro pela “ajuda” que deram. Pensei que seria fácil reconhecer esses falsos guias, mas na hora do aperto eles chegam de mansinho com o discurso de só querer ajudar e enganam até os mais atentos. E foi exatamente o que aconteceu conosco!

Quando nos perdemos passou um homem empurrando uma moto e perguntamos para ele onde era a Medersa. Ele foi solícito, disse que a gasolina tinha acabado e estava indo abastecer a moto. Viu que estávamos meio desconfiados e disse que não queria dinheiro, somente nos ajudar. Ele falou que a Medersa só abriria após às 14h (era por volta de 12:30h) e disse para irmos atrás dele, pois passaria em frente aos mercados de artesanato com preços melhores do que os dos arredores da praça. E foi no caminho que o Du observou um fato que aconteceu outras vezes: ele pegou o celular e ligou para o amigo que já nos esperava na loja. Na certa o diálogo deve ter sido algo do tipo: “Mohamed, estou levando dois turistas imbecis para visitar a loja. Aproveite e cobre bem caro dos dois! E de tudo o que vender eu quero 20%”. Para nossa surpresa ele não pediu dinheiro e nos deixou em frente à loja.

E lá já havia um homem nos esperando e nos convidou para conhecer o curtume antes de entrar na loja. Achei a ideia interessante e entramos para o lugar mais fedido da cidade! Há tanques com fezes de pombas misturados com couro, moscas por todos os lados e um mau cheiro insuportável. O tour não durou cinco minutos, o homem nos explicou mais ou menos o processo de curtimento, fez uma pausa para fotografarmos e só. Ao sair de lá agradecemos e nos despedimos e foi aí que ele nos disse que teríamos que pagar 20 euros pelo trabalho dele. Como assim?!! 20 euros para uma explicação tosca e um lugar que não dava para respirar por causa do mau cheiro? Dissemos a ele que pagaríamos 5 euros e isso era um abuso. Claro que ele aceitou o dinheiro, pois sabia que estava nos enganando.

Na frente do curtume havia uma loja de artesanato com preços ótimos, de acordo com o vendedor. Como estava muito quente aceitamos o convite dele e entramos na loja. Ele veio com a conversa de que só estaria ali naquele dia e que à tarde voltaria para a vila que ele mora. (Aham, sei bem! Que papo furado!). Fiz cara de que acreditei e fiquei olhando as bolsas de couro. Nem estava interessada em comprar, mas como ali era mais barato me animei. Perguntei o preço e ele me deu um caderno com o preço dele (1200 dihrans = 120 euros). Na sequência eu deveria escrever o quanto queria pagar, daí eu apelei e como não estava interessada na bolsa escrevi 120 dihrans = 12 euros. Ele fez uma cara de raiva, fechou o caderno e disse que eu não era séria. O clima ficou meio tenso, ele disse várias coisas em árabe pro ajudante (deve ter me xingado muito) e fomos embora na mesma hora. A bolsa não valia 15 euros e certamente ele sabia disso!

A essa altura já estávamos perdidos novamente, perguntamos para um homem se estávamos no caminho certo para a Medersa e lá fomos seguindo ele. E na hora que chegamos no destino, óbvio que ele queria dinheiro! Deixei o Du resolver com ele e na hora outros homens ficaram dizendo que era para ajudar, pois ele tinha filhos e estava desempregado. O Du deu uns trocados e entramos na Medersa. Fiquei mais indignada ainda e com a sensação de ter sido roubada e enganada. Em Marrakech os turistas são roubados indiretamente, e neste ponto são muito parecidos com os brasileiros que querem tirar vantagem em tudo. Mas por outro lado aqui no Brasil ninguém pede dinheiro para dar informações ou ensinar um caminho para alguém que está perdido.

Finalmente entramos na Medersa Ben Youssef , que é a maior escola corânica (dedicadas ao estudo do árabe e do Corão) do Marrocos. Foi fundada no século XIV e foi restaurada e ampliada no século XVI.

Foi construída para abrigar aproximadamente 900 alunos distribuídos em 150 celas bem pequenas. A maioria das celas estava localizada em torno de pátios internos menores e era iluminada por claraboias. Os alunos mais promissores tinham o privilégio de ficar nos melhores quartos voltados para o pátio central. A Medersa foi fechada em 1960 e reaberta em 1982 como um local histórico.

No pátio central há um espelho d’água e nas laterais pilares revestidos com coloridos azulejos (zellij). Por toda a edificação é possível observar os ricos detalhes em estuque, mármore e entalhes de cedro. O islamismo proíbe a representação de animais e da figura humana, por isso a Medersa é toda decorada com motivos geométricos.

O ingresso para a Medersa também inclui a entrada para o Museu de Marrakech, que está ao lado. O local é um palácio do século XIX e foi usado como escola até que no final da década de 1990 foi restaurado. É uma galeria de arte contemporânea e espaço para exposição de coleções privadas de arte islâmica e marroquina.

Não achei a visita interessante, vale mesmo para conhecer o interior que possui belíssimos detalhes em azulejo e madeira. O acervo de obras de arte é bem limitado e não são atraentes.

Ao sair de lá estava muito quente, impossível de ficar na rua. Queria entrar em um quarto com ar condicionado e não sair de lá! Estavávamos com fome e fomos no Café des Épices que fica de frente para o mercado de especiarias. A escolha foi ótima: local agradável, internet wi fi grátis e um menu variado de sanduíches e saladas.

O mercado de especiarias:

Ao sairmos do café o sol não estava tão forte e decidimos ir para o Jardim Menara. Vimos pelo mapa que não era muito distantes e fomos a pé. Segundo erro do dia! Apesar de o sol ter dado uma trégua, estava muito abafado. Compramos uma garrafa de água mineral bem gelada e em menos de 20 minutos a água estava quente, a ponto de não conseguir bebê-la. Na entrada há um caminho de areia e pedriscos e nas laterais há inúmeras oliveiras. Percorremos todo o caminho e no final havia um enorme lago e uma pequena construção. Só isso! Fiquei desapontada, afinal pelas fotos e descrições que vi do local pensava que fosse O Jardim. A paisagem extremamente árida não é muito convidativa. Não ficamos mais do que quinze minutos lá e pegamos um táxi para o hotel.

Descansamos na área da piscina e à noite fomos jantar no restaurante Le Marrakchi que fica de frente para a Praça Djemaa el Fna e tem uma visão panorâmica do local. O restaurante de culinária típica marroquina estava lotado de turistas e no meio da noite duas dançarinas dançaram a dança do ventre. A comida estava ok e o melhor da noite foi a sobremesa! O Du pediu um creme de chocolate muito bom e eu fui de doces árabes, que estavam perfeitos. Eram cinco tipos de doces, com pistache, amêndoas e mel.

Nesse dia fui dormir com uma pergunta na cabeça: “O que eu vim fazer em Marrakech?”!

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5 comentários
  1. Flávia disse:

    ok, então você se fez a pergunta que eu não te fiz, mas pensei, desde o dia em que falou que ia, rs. Mas achei que realmente estivesse mais interessada no mundo árabe ou se empolgou depois de Estambul. Acho que já fico satisfeita por conhecer através dos seus olhos, já que não é um lugar que teria vontade de conhecer pessoalmente. Mas as fotos são lindas, e ainda quero saber como foi o resto da viagem, rs.

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    • hahaha! A pergunta que não quer calar, né?!! Pois é, me surpreendi com a Turquia e pensei que seria o mesmo no Marrocos. Mas valeu a visita sim, só não é um lugar que voltaria. Beijos!!

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